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Rottweiler: a extrema-direita e o oportunismo mediático que mordem em cena

Uma entrevista oportunista na televisão a um skinhead para aumentar audiências. A premissa pode parecer-nos demasiado familiar mas é de uma peça de teatro criada em 2006 por um autor espanhol. O Teatro do Noroeste vai levá-la à cena em Viana do Castelo a partir de dia 27.
Foto de mik/Flickr

Guillermo Heras criou a peça Rottweiler e apresenta-a como uma “reflexão sobre os impulsos de violência de pessoas relacionadas com movimentos de extrema-direita e sobre a manipulação informativa de determinados modelos de programas televisivos”.

Ricardo Simões encena-a e fala num “texto muito cru, violento, polémico e que põe o dedo em algumas feridas que, acreditamos, farão o espectador questionar-se acerca do que vemos, ouvimos, lemos, e sobretudo colocará a dúvida sobre uma questão muito importante: em que podemos acreditar neste mundo digitalizado e mediatizado quando ouvimos, lemos ou vemos uma notícia?"

Em declarações à Lusa, o encenador diz tratar-se de “um jogo cénico” que problematiza as questões da manipulação informativa e do sensacionalismo.

Rottweiler é o nome um skinhead nazi que participa numa emissão conduzida por um “jornalista oportunista”. É, assim, realça Ricardo Simões, um “espetáculo que não pretende ser bonito, não pretende entreter, não pretende divertir” mas “pretende ser apenas teatro, com tudo o que isso possa significar”.

Uma visão do teatro que vai ao encontro da do dramaturgo Luis Guillermo Heras Toledo que tem, aliás, uma relação duradoura com a companhia teatral de Viana do Castelo: desde 1999 fez workshops, escolas de verão e encenou aí várias peças. Heras, premiado em 1994 com o Prémio Nacional de Teatro do seu país e em 1997 com o Prémio Frederico García Lorca, pretende criar um teatro “autêntico”, que ocupa um lugar “de cultura, de pedagogia, e também de entretenimento “à Cervantes”, que dizia que o teatro era o lugar do deleite”, afirmações feitas numa entrevista ao jornal Público em julho de 2017.

Esta peça estreia no dia 27 de março, Dia Mundial do Teatro, na sala principal do Teatro Municipal de Sá de Miranda, em Viana do Castelo. Está em cena até dia 13 de abril. A peça de Guillermo Heras foi traduzida por Alexandra Moreira da Silva. É interpretada por Alexandre Calçada e Tiago Fernandes. A iluminação é de Nuno Tomás, a sonoplastia de Cláudia Ferreira e o vídeo de Luís Lagadouro.

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