Está aqui

Reviravolta em Israel: governo de “unidade nacional” à vista

O partido de Netanyahu e os seus aliados apoiaram a candidatura do até agora principal rival à presidência do parlamento. Benny Gantz justificou-se com o combate ao Covid-19, enfurecendo os seus apoiantes que ameaçam romper a coligação Azul e Branca.
Benny Gantz ao ser convidado pelo presidente israelita a formar governo. Foto de ABIR SULTAN/EPA/Lusa.
Benny Gantz ao ser convidado pelo presidente israelita a formar governo. Foto de ABIR SULTAN/EPA/Lusa.

Há pouco mais de uma semana, Gantz tinha sido encarregue pelo presidente israelita de formar governo. No contexto do impasse eleitoral entre o bloco liderado por si e o liderado por Netanyahu, parecia estar mais próximo de chegar a primeiro-ministro.

Por isso, a sua eleição esta quinta-feira para presidente do parlamento surpreendeu. O líder da coligação Azul e Branca passou de ser encarado como a grande esperança de derrotar Netanyahu, acusado criminalmente de corrupção, para ser visto como o seu mais provável parceiro político. O Likud de Benjamin Netanyahu apoiou a sua eleição e espera-se agora um governo de “unidade nacional”.

Uma unidade que passa a faltar doravante no interior das hostes de Gantz. Pouco antes desta jogada, o ex-candidato a primeiro-ministro dizia pretender adotar no parlamento legislação no sentido de impor uma limitação de mandatos que excluiria Netanyahu da possibilidade de ser eleito e impedir que um primeiro-ministro entre em funções se estiver, como está o líder do Likud, a enfrentar julgamento.

A reviravolta de posição levou a coligação Azul e Branca à convulsão interna com vários dos componentes a ameaçar iriam romper com esta aliança. Os partidos Yesh Atid e Telem que correspondem a mais de metade da coligação foram os primeiros a fazê-lo. O dirigente do primeiro destes partidos, Yar Lapid, reagiu duramente ao sucedido: “Benny Gantz decidiu hoje partir o Azul e Branco e ir a rastejar para o governo de Netanyahu.” Outros aliados desta força política, como Meretz, de esquerda, também se insurgiram contra a decisão. Tamar Zandberg dirigiu-se a Gantz dizendo-lhe: “vai acabar como um tapete debaixo dos pés de um alegado vigarista, um incitador e um racista” e acusado-o de lograr o seu eleitorado.

Por sua vez, Gantz, na sua declaração perante o Knesset, o parlamento israelita, declarou que “estes são tempos invulgares e requerem decisões invulgares. É por isso que eu pretendo explorar a formação de um governo de emergência nacional”. O ex-militar justificou-se com a crise provocada pelo surto do Covid-19 e o impasse em que se continua após três eleições legislativas.

O cenário agora em cima da mesa é o de um acordo em que, rotativamente, Gantz e Netanyahu assumam o papel de primeiro-ministro. Algo que não seria inédito na política israelita. Shimon Perez e Ytzhak Shamir em 1984 acordaram na rotatividade na chefia do governo.

O novo coronavírus matou dez pessoas em Israel e infetou mais de três mil.

Termos relacionados Internacional
(...)