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Restauração: “Quem paga melhores salários não tem falta de pessoal”

A CGTP reagiu à queixas dos patrões do setor da hotelaria sobre a suposta falta de mão de obra em cerca de metade das empresas.
Foto Paulete Matos

Em declarações ao Diário de Notícias, os representantes da AHRESP queixaram-se da falta de 40 mil trabalhadores na restauração e alojamento, uma situação que dizem afetar metade das empresas e que está a impedir investimentos neste setor da economia.

Na resposta publicada no site da CGTP, a central sindical afirma que “o problema do setor são os salários baixos, as más condições de trabalho, os horários de trabalho infindáveis, o não pagamento dos feriados, os ritmos de trabalho, o trabalho ilegal e clandestino, o fumo do tabaco durante todo o período do trabalho”. E regista que “as empresas que pagam melhores salários e oferecem boas condições de trabalho não têm falta de pessoal”.

Hoje em dia, cerca de 80% dos trabalhadores da restauração recebem o salário mínimo nacional, “situação muito diferente ao período antes da troika”, lembra a CGTP. Para além disso, “ os trabalhadores são obrigados a trabalhar diariamente 10, 12 e mais horas e com ritmos intensos de trabalho, sem pagamento de trabalho suplementar, o que configura trabalho escravo”, acusa a central sindical.

“Não há outro setor com salários tão baixos, onde haja horários tão longos, tanto trabalho clandestino, tanto trabalho não declarado, tantos trabalhadores com apenas um dia de folga. Inclusive não há outro setor onde existam aqueles papeis ridículos de “consulta de mesa” para facilitar a fuga e evasão fiscal”, prossegue o comunicado, que faz questão de separar a realidade da restauração da do alojamento, já que nesta “a situação não é tão grave”.

Os sindicatos estão a negociar os acordos coletivos com as confederações patronais AHRESP e APOHRT, que continuam a recusar os dois dias de descanso semanal e a reposição do valor da inflação perdido durante o período do congelamento salarial. Enquanto o turismo registou um crescimento substancial nos últimos anos, aumentando bastante os lucros das empresas, os trabalhadores não receberam nada em troca e são submetidos a condições de trabalho difíceis com salários congelados.

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