O comunicado conjunto acusa a proposta de Orçamento Europeu, aprovada pelos chefes de Estado e de Governo, de abrir "caminho para sete anos de austeridade e degradação económica na Europa" e de negar "a noção de solidariedade europeia". Os cortes profundos em áreas como o Fundo Social ou a ajuda alimentar são considerados "uma vergonha que só irá alimentar a rejeição crescente da União Europeia por parte dos seus povos".
"Há muito tempo que nos opomos totalmente ao caminho que as políticas europeias têm seguido", declaram os subscritores, sublinhando a rejeição "aos cortes orçamentais generalizados que penalizam todos os cidadãos europeus", ou a uma Política Agricola Comum que "continuará a beneficiar os grandes e aqueles que poluem mais".
O documento assinado por Catarina Martins, João Semedo, Marisa Matias e Alda Sousa defende que "a UE não pode ser reduzida a uma Europa liberal que tem como projeto único um mercado interno" e que "a este ritmo, o ideal da União Europeia estará condenado". Por isso apelou aos eurodeputados para que chumbassem a proposta do Conselho Europeu.
A resolução aprovada esta quarta-feira em pelos eurodeputados em Estrasburgo, com uma grande maioria de 506 votos contra 161, claramente rejeita o Quadro Financeiro Plurianual 2014-2020.
"Precisamos de outra Europa, refundada para se tornar uma verdadeira democracia. Uma Europa com um orçamento redistributivo e sem austeridade em troca, uma Europa para todos os seus cidadãos", resume o comunicado que também conta com as assinaturas de Alexis Tsipras, Jean-Luc Mélenchon e Cayo Lara. Os dirigentes políticos e eurodeputados da esquerda europeia entendem que "a continuação da política de austeridade e do poder autoritário dos chefes de Estado e de governo corresponde a um declínio social, um declínio de soberania e um declínio da democracia". No fim do comunicado, deixam um aviso aos líderes desta Europa da austeridade que salva os bancos e abandona as pessoas: "A resistência dos povos é inevitável e não terá limites".