Está aqui

Rendas cresceram mais do dobro do que os salários nos últimos três anos

Em 2020, uma renda média representava quase dois terços de um salário médio em Portugal. Nas regiões de Lisboa, Algarve e Madeira, o valor ascende a cerca de 70% de um salário médio.
Foto de Paulete Matos.

Os cálculos do Jornal de Negócios tiveram como base o valor mediano das rendas por metro quadrado, e considerando uma casa com 100 metros quadrados. No final do ano passado, a renda média equivalia a 561 euros. Por sua vez, em 2020, o rendimento médio mensal líquido da população empregada por conta de outrem foi de 951 euros.

Tendo em conta estes dados, disponibilizados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), a conclusão não é animadora: uma renda média representa quase 59% de um salário médio.

O peso da despesa com a renda da casa no orçamento familiar agrava-se ainda mais em regiões como a Área Metropolitana de Lisboa, onde o valor é superior a 78%, no Algarve, onde representa cerca de 74% de um salário médio, ou Madeira, com uma percentagem se fixa nos 69%.

Somente no Centro e Alentejo encontramos valores inferiores a 50% da media salarial.

Nos últimos três anos, os valores das rendas aumentaram perto de 28%. Já os salários cresceram apenas 11%. Esta discrepância tem-se traduzido no agravamento das taxas de esforço.

Em 2018, o Governo reconheceu que uma despesa anual com habitação superior a 40% do rendimento disponível representa uma sobrecarga. À época, 35% da população arrendatária encontrava-se nessa situação.

No entanto, várias instituições recomendam uma taxa de esforço inferior. No que respeita ao crédito bancário para a aquisição de casa, é aconselhada uma taxa de esforço inferior a 30%.

Termos relacionados Sociedade
(...)