Está aqui

Relatório Mueller: Trump reclama vitória apesar de revelações incómodas

Relatório Mueller sobre atos ilícitos de Trump foi divulgado ao fim de dois anos. Apesar de revelações incómodas, não formula acusação formal contra Trump, que cantou vitória. O caso deverá continuar a alimentar disputas no Congresso.
"Deport Trump": manifestação em frente ao Supremo Tribunal em 2017. Foto de Lorie Shaull/Flickr.
"Deport Trump": manifestação em frente ao Supremo Tribunal em 2017. Foto de Lorie Shaull/Flickr.

O "relatório Mueller" sobre Trump foi finalmente divulgado. O attorney general William Barr, cargo que mistura funções de ministro da justiça com outras de procurador-geral da república em Portugal, anunciou numa conferência de imprensa esta quinta-feira que o documento de 448 páginas foi enviado para as duas câmaras do Congresso americano. Poucas horas depois, foi também disponibilizado no site do Departamento de Justiça.

A investigação do procurador Robert Mueller arrancou em maio de 2017 para apurar alegadas interferências russas nas eleições presidenciais norte-americanas, e tornou-se no eixo central da disputa política no país durante quase toda a presidência de Trump até agora. Para além da questão russa, a investigação alargou-se para uma série de atos possivelmente ilegais de Trump já como presidente, nomeadamente manobras de obstrução à justiça.

Na questão russa que originou a investigação, os resultados foram uma desilusão para quem apostou no caso como forma de enfraquecer Trump. Mueller decidiu não formular acusação criminal contra o presidente. O relatório não encontrou provas de que a equipa de Trump tivesse conhecido ou colaborado num esquema de manipulação de informação ou de eleições. Trump rapidamente declarou vitória num tweet em que se apresenta num cenário evocativo da conhecida série Guerra dos Tronos com a mensagem: "Game Over".

Em relação aos atos de obstrução à justiça, que constituem o segundo volume do relatório, Mueller afirma não estar convencido da inocência do presidente, mas tão pouco formula acusação judicial, declarando antes que o Congresso poderá fazê-lo. O relatório refere como exemplos de potencial obstrução manobras de Trump para demitir o próprio Mueller, o diretor do FBI, ou a sua ligação a pessoas que foram condenadas por crimes, como o seu antigo advogado.

É expectável que o caso continue no Congresso, onde as lutas entre democratas e republicanos se têm intensificado. A maior parte do partido democrata e sua bancada parlamentar apostaram na investigação Mueller para fragilizar Trump, apontando a uma eventual demissão pelo Congresso (impeachment) . Isso exigiria no entanto uma maioria contra Trump nas duas câmaras do Congresso, e o partido republicano mantém maioria na câmara alta, o Senado. Apesar de Trump não ser consensual no seu próprio partido, este tem sido imune às tentativas democratas para o derrubar, e o relatório Mueller parece não fornecer motivos para mudar de posição.

Há setores da esquerda norte-americana, dento e fora do partido democrata, que vêem no caso Mueller uma distração condenada à derrota, e defendem que a linha de combate a Trump passa pela mobilização social e política, ao invés de conflitos judiciais. Poderão sair reforçados com este resultado. Que a política americana continuará muito conflituosa é o mais certo.

Termos relacionados Internacional
(...)