Referendo no leste da Ucrânia: 90% votou pela independência, afirmam separatistas

11 de maio 2014 - 23:22

Governo interino da Ucrânia, União Europeia e Estados Unidos da América criticam duramente o referendo e já afirmaram não lhe reconhecer qualquer legitimidade. Grupos pró-russos de Lugansk e Donetsk anunciam que a participação eleitoral foi superior a 70%.

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Militares pró-russos em frente à Câmara Municipal de Sloviansk na autoproclamada República Popular de Donetsk.

Uma vez encerrado a votação dos referendos separatistas nas regiões de Donetsk e Lugansk, na Ucrânia, a apuração inicial dá indícios de vitória maciça da corrente independentista: mais de 90% é favorável a romper com Kiev e aumentar a autonomia dos respetivos territórios.

As informações preliminares, divulgadas pelas lideranças dos grupos pró-russos, que controlam a região e contestam a autoridade do governo central de Kiev, dão conta de que, até o momento, apenas 5% votaram contra a independência dos territórios.

Potências ocidentais e o Governo interino da Ucrânia contestam a legitimidade dos referendos e não deixaram claro que não reconhecerão os seus resultados.

Em Slaviansk, uma das urnas eleitorais contabilizadas apresentou 1.505 votos “sim” e apenas 23 “não” à independência. “Os resultados que temos sugerem que isso aconteceu também em outras mesas”, disse à agência AFP um membro da liderança regional.

Membros das comissões eleitorais também afirmam que a taxa de participação superou as estimativas: mais de 70% das pessoas aptas votaram. Apenas em Mariupol, cidade bloqueada por forças ucranianas, a participação foi reduzida: apenas oito urnas eleitorais foram abertas e pouco mais do que 30% votou.

A maioria das assembleias eleitorais encerraram às 20h locais, mas algumas cidades permaneceriam com as urnas abertas até as 23h para incrementar a participação eleitoral.

Falta de legitimidade

A consulta eleitoral, entretanto, é duramente criticada pelo governo de Kiev e pelas principais potências ocidentais. Sublinham a falta de legitimidade do ato eleitoral: a votação foi feita sem a presença de observadores internacionais e sem uma lista atualizada dos eleitores em cada colégio eleitoral; as cédulas utilizadas foram fotocopiadas e os locais de votação estavam cercados por homens armados.

A União Europeia já afirmou que não irá reconhecer quaisquer que sejam os resultados dos “pretensos referendos” separatistas de Donetsk e Lugansk. Segundo Maja Kocijancic, porta-voz da chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, as consultas são “ilegais” e foram organizados sem “legitimidade democrática”.

Aqueles que organizaram a votação “não têm legitimidade democrática” e a “organização a que pertencem é contrária aos objetivos da declaração conjunta de Genebra que pretende atenuar a tensão”, acrescentou Maja Kocijancic.

Se o resultado preliminar for confirmado, os grupos separatistas das duas regiões pretendem manter o território independente — sem planos de unificação com a Rússia, como foi feito na península da Crimeia no passado mês. As lideranças pretendem formar órgãos estatais e um exército próprios, indicando que considerarão soldados do governo de Kiev “ocupantes” ilegais do território. Há ainda o desejo de juntar-se a outras regiões separatistas da Ucrânia para criar um Estado independente único, que se chamaria “Nova Rússia”.

Mortos em Donetsk

Palco de intensos conflitos com as forças ucranianas que vitimaram dezenas de pessoas na última semana, neste domingo de votação no leste da Ucrânia houve apenas pontos isolados de violência.

Disparos da Guarda Nacional Ucraniana fizeram dois mortos na cidade de Krasnoarmeisk, região de Donetsk, informou o diário digital local 06239.com.au.

De acordo com o jornal, os militares ucranianos dispararam contra um grupo de pessoas que impedia a passagem de um automóvel que se dirigia para a Câmara Municipal.

Uma das pessoas atingida a tiro teve morte imediata e a segunda não resistiu aos ferimentos e acabou por morrer quando era transportada para o hospital, disse ao diário digital, o chefe do serviço de urgências, Antoli Boboshko.

esquerda.net com Opera Mundi