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Rapper catalão vai entrar na cadeia por “injúrias à monarquia”

Estão convocadas dezenas de mobilizações de solidariedade com Pablo Hasél, o rapper a quem a justiça espanhola deu dez dias para se apresentar na cadeia.
Pablo Hasél na conferência de imprensa desta segunda-feira. Imagem Europa Press.

Condenado em 2018 a nove meses e um dia de prisão pela Audiencia Nacional, pelas suas canções e mensagens publicadas nas redes sociais que o tribunal considerou como injúrias à monarquia e à polícia, incitadoras de violência e enaltecedoras do terrorismo, o rapper de Lleida é o novo símbolo dos defensores da liberdade de expressão em Espanha.

Em conferência de imprensa realizada na segunda-feira, citada pela Europa Press, Pablo Hasél reafirmou que não vai cumprir a ordem do tribunal para se apresentar voluntariamente na prisão até ao próximo domingo. Entretanto, esta terça-feira recebeu uma notificação do tribunal - a anterior tinha sido dirigida ao seu advogado -, pelo que confia que o prazo de dez dias para entrar na prisão deva começar a contar a partir desta última notificação.

“O mais provável é que me venham buscar para me prenderem”, afirmou o músico, insistindo que não irá pedir nenhum indulto e que ao contrário do rapper Valtonyc, condenado por razões semelhantes, não vai escolher o caminho do exílio. Hasél diz que essa escolha “não criou muita solidariedade e a sua situação normalizou-se”. Em entrevista à TV3, confessou o seu espanto por ter conseguido autorização para viajar até à Bélgica e à Venezuela já após a última condenação. “Deixaram bem claro que querem que me vá embora, porque aqui sou um problema”, concluiu.

“Se o que querem é silenciar a mensagem e que outros não a reproduzam, o facto de que me prendam vai conseguir o oposto e pode trazer mais proveito à causa do que estar exilado”, declarou Hasél, reconhecendo ter meditado bastante sobre o assunto antes de decidir fazer da prisão mais uma trincheira para a sua luta.

Ainda a propósito do caso de Valtonyc, Hasél recordou que quando aquele foi condenado teve direito a uma mensagem de Pedro Sánchez, então líder da oposição. “Que um rapper entre na prisão é muito mau sintoma sobre o estado da nossa democracia”, dizia em maio de 2018 o atual primeiro-ministro espanhol. Agora, o silêncio de Sánchez mas também o dos parceiros de governo do Unidas Podemos só merecem críticas por parte de Hasél: “Não só não revogaram a ‘lei mordaça’ como tinham prometido, mas alargaram-na ao aprovarem a ‘lei mordaça digital’”, critica em entrevista ao site Nueva Revolución.

Quanto às letras e mensagens que estiveram na origem da condenação, e tendo em conta que um dos seus alvos, o rei emérito, se encontra ele próprio fugido de Espanha, Pablo Hasél diz que “não são injúrias, mas factos sobejamente provados”. “O que para eles é realmente perigoso é a minha mensagem, é que proponho uma República Popular onde a classe trabalhadora tome o poder. Se não se propõe uma alternativa ao regime monarco-fascista, deixam de temer a denúncia dos seus delitos”, afirma na mesma entrevista.

Durante esta semana estão convocadas dezenas de manifestações em defesa da liberdade de expressão e da amnistia para o rapper. No sábado, centenas de pessoas manifestaram-se no centro de Barcelona, um protesto que acabou com cortes de ruas e contentores incendiados.

 

 

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