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Racismo no jogo entre a Bulgária e a Inglaterra agita futebol

Depois dos incidentes racistas que fizeram parar por várias vezes o jogo entre as seleções inglesa e búlgara, o Presidente da Federação búlgara de futebol acabou por se demitir esta terça-feira.
Adeptos búlgaros no jogo contra a Inglaterra. Outubro de 2019.
Adeptos búlgaros no jogo contra a Inglaterra. Outubro de 2019. Foto de LICOVSK/EPA/Lusa

O jogo de qualificação para o Europeu de 2020 da passada segunda-feira entre a Bulgária e a Inglaterra ficou marcado por insultos racistas a vários jogadores da equipa visitante e por saudações nazis no estádio. Por duas vezes, este jogo esteve interrompido devido aos incidentes. E o árbitro croata Ivan Bebek colocou a possibilidade de não prosseguir a partida disputada no Estádio Nacional de Sófia. Questionados sobre esta eventualidade, treinador e jogadores ingleses decidiram continuar para “não deixar que o racismo levasse a melhor”, revelou Greg Clark, presidente da Football Association, a federação inglesa de futebol.

Na sequência deste episódio Borislav Mihaylov, presidente da Federação Búlgara de Futebol, demitiu-se, pressionado pelo primeiro-ministro do país, Bokyo Borissov que anunciou a suspensão dos subsídios estatais à instituição até que aquele saísse e escreveu no facebook que “é inaceitável para a Bulgária, que é um dos países mais tolerantes do mundo – e onde pessoas de diferentes etnicidades e religiões vivem em paz – ser associada com o racismo e a xenofobia”.

Depois da demissão de Mihaylov, houve uma rusga policial à instituição que presidia por alegada corrupção e viciação de resultados de jogos. Borissov garantiu que esta ação policial estava já prevista previamente e não estava relacionada com os incidentes racistas. Também não foi adiantada qualquer indicação que envolva o ex-presidente da Federação.

A demissão do responsável federativo foi justificada por se ter esforçado por culpabilizar o treinador inglês e os jogadores desta seleção. Os comentários destes sobre a existência dos cânticos racistas foram considerados por Mihaylov como “ofensivos” e “depreciativos”. Também o guarda-redes da seleção da casa, Plamen Iliev escolheu o caminho semelhante: justificou a postura dos adeptos afirmando que estes se “portaram bem” no jogo e que os jogadores da equipa contrária “exageraram um bocado” nas reações, assegurando que não tinha ouvido nada.

Depois de ter declarado antes deste jogo que a Bulgária “não tinha problemas de racismo”, o treinador Krasimir Balakov lançou um comunicado em inglês alegando que as suas palavras foram tiradas do contexto. Balakov assegura que condena “incondicionalmente todas as formas de racismo como comportamento inaceitável que contradiz as relações humanas normais” e que nunca discriminou nenhum jogador ou julgou ninguém pela cor da sua pele.

Agora, concede que “talvez tenham existido casos isolados” de racismo no campeonato do seu país mas não acontecem em “larga escala”. Balakov termina o seu texto dando as suas “sinceras desculpas aos futebolistas ingleses e a quem quer que se tenha sentido ofendido.”

A UEFA também reagiu ao caso. Em primeiro lugar, voltando a publicar os procedimentos previstos para os árbitros caso se deparem com este tipo de incidente. Em segundo lugar, através de um comunicado assinado pelo seu presidente, Aleksander Čeferin, sobre a questão do racismo que considera “um comportamento inaceitável”. Em terceiro lugar, anunciando procedimentos disciplinares contra a Federação Búlgara. Para além do mais, observadores independentes viram cerca de vinte pessoas que estavam vestidos como assistentes de estádio, despir as fardas e juntar-se aos adeptos que estavam a entoar os cânticos racistas.

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