Bárbara Katachinski, ajudante familiar, começou por referir o “trabalho desgastante” da sua profissão, afirmando que as trabalhadoras da sua profissão “ser reconhecidas” e que esse reconhecimento serve também “para que os idosos tenham o devido tratamento”.
Catarina Martins, coordenadora do Bloco, louvou a mobilização destas trabalhadoras: “se vocês não se tivessem organizado, não era possível ter dado nenhum passo”. De acordo com a mesma, “as condições a que estão sujeitas no trabalho são condições que o país não conhece”. Estas condições passam por trabalhar sem folgas em turnos de 12 horas, por “subir e descer escadas com pesos”, por enfrentar “perigos para a saúde”. “Ouvi relatos de quem foi trabalhar em casas onde havia doentes com tuberculose ou sarna e que apanhou essas doenças, porque nem havia equipamento próprio nem informação de que estavam com pessoas com doenças infecciosas”, afirmou Catarina Martins.
A coordenadora do Bloco afirmou ainda que, nas condições deste trabalho, há “um terrível desrespeito, que é alimentado pelo Estado”. Aqui vislumbra-se ainda um “sintoma de muitas discriminações: quase todas mulheres, não brancas, ou migrantes de outros países”.
“Aqui, na prestação destes cuidados, juntaram-se todas as discriminações para não olhar para a condição concreta. Abusou-se de tudo. Aproveitou-se a discriminçaão para se abusar de tudo: pele, nacionalidade e género”, disse Catarina Martins.
Considerando que, em Portugal, “se trata muito mal estas áreas em que há muita mão de obra feminina, racializada, migrante”, defendeu a “obrigação” de a Santa Casa da Misericórdia fazer contratos. “Que a vossa luta seja um exemplo para conseguirmos direitos para toda a gente que trabalha nesta área”, apelou a coordenadora do Bloco de Esquerda.