Está aqui

“Queremos construir a Europa da dignidade para quem trabalha”

Catarina Martins interveio no comício em Almada para sublinhar que o combate à precariedade "é a prioridade do Bloco aqui e na União Europeia”.
Catarina Martins
Catarina Martins no comício do Bloco em Almada. Foto António Cotrim/Lusa

“Quem disser que as eleições europeias não são sobre o trabalho, está a mentir”, afirmou Catarina Martins a abrir a sua intervenção do comício para as eleições europeias na Incrível Almadense. E a prova disso, acrescentou, foi o encontro com trabalhadores do Arsenal do Alfeite à entrada do comício desta quarta-feira. Estes trabalhadores têm ido falar com os candidatos dos vários partidos às europeias que passam pelo concelho de Almada para lhes falarem das suas dificuldades e dos ataques aos seus direitos laborais.

Na União Europeia de hoje, prosseguiu Catarina, “a desigualdade só é comparável ao que se viveu na Europa antes da I Grande Guerra”. Lembrando a “conquista extraordinária” das oito horas de trabalho diário, conseguida há cem anos, a coordenadora do Bloco apontou também que isso hoje nada diz a “tanta gente que trabalha mais de 8 horas”.

“Na União Europeia tentam convencer-nos que há um maravilhoso mundo novo, em que não há horários nem contratos e seremos todos felizes a conduzir ubers”,  enquanto a realidade é bem diferente e feita de “medo, ameaças e chantagens” a quem vive na precariedade. Por isso, “o combate à precariedade é a prioridade do Bloco aqui e na União Europeia”, defendeu, porque “enquanto houver precariedade sabemos que não estamos a cumprir a igualdade”.

“O voto do trabalhador temporário no call center vale exatamente o mesmo do CEO da Altice"

A intervenção do Bloco para definir e fazer aprovar propostas concretas contra a precariedade foi também sublinhada na intervenção de Catarina Martins: da lei que fez o combate ao trabalho forçado “nos campos do Alentejo e por esse país fora” ao reforço da lei de combate à precariedade que permitiu a muita gente “ver o recibo verde transformado em contrato”, passando pelo PREVPAP desenhado pelo grupo de trabalho formado no acordo pós-legislativas entre o Bloco e o PS. Em todas estas medidas, uma coisa foi constante: “a direita votou sempre contra”.

“Queremos construir a Europa da dignidade para quem trabalha”, defendeu Catarina, recusando os planos de quem acha que os países da periferia do euro, como Portugal, estão destinados a ser um repositório de mão de obra barata. “Nós dizemos que não. Queremos democracia. E só há democracia com direitos do trabalho”, contrapôs.

Enfrentar o poder do sistema financeiro e das indústrias extrativas que devastam o planeta passa por usar o voto no dia 26 de maio, sublinhou. “O voto do trabalhador temporário no call center vale exatamente o mesmo do CEO da Altice. O voto do bolseiro vale o mesmo do reitor que não lhe quer dar um contrato de trabalho”, apontou Catarina, apelando a que “ninguém fique em casa no domingo” e que “toda a gente use o seu poder e o seu voto” para construir “um país com dignidade, sem precariedade, uma democracia a sério e de cabeça levantada”.

Termos relacionados Europeias 2019, Política
(...)