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“Quem vive acima das nossas possibilidades são os mercados financeiros”

Num comício em Viseu, Marisa Matias defende um país e uma Europa onde a austeridade não faça parte da política que a domina. Catarina Martins desmonta as manipulações do governo sobre a taxa de desemprego e diz que há menos gente que nunca a trabalhar em Portugal, e que um país que se esvazia é um país sem futuro.
Marisa: “Nunca tanto como nos últimos anos ouvimos falar de Europa e nunca tanto como nos últimos anos percebemos o que é que essa Europa da austeridade fez às vidas das pessoas”. Foto de Paulete Matos
Marisa: “Nunca tanto como nos últimos anos ouvimos falar de Europa e nunca tanto como nos últimos anos percebemos o que é que essa Europa da austeridade fez às vidas das pessoas”. Foto de Paulete Matos

Marisa Matias começou a sua intervenção no comício de Viseu a estranhar que no dia da Europa ninguém se lembre de o assinalar.

“Não se festeja o dia da Europa, talvez porque esta tem sido mais uma Europa das más notícias do que propriamente de boas notícias”, observou a cabeça de lista do Bloco. “Nunca tanto como nos últimos anos ouvimos falar de Europa e nunca tanto como nos últimos anos percebemos o que é que essa Europa da austeridade fez às vidas das pessoas”.

“Nós precisamos de um país e de uma Europa onde a austeridade não faça parte da política que a domina”, afirmou Marisa Matias. “Mas o problema é quem quem nos governa – e em Portugal também o Partido Socialista – querem garantir que a austeridade seja permanente. E fazem-no através da aprovação do Tratado Orçamental. Esta é a garantia de que teremos por mais 20 ou 30 anos os níveis de austeridade que tivemos nos últimos três anos”.

Os números são pessoas concretas, com vidas concretas, com direito a sonhos. São as pessoas que foram forçadas a emigrar, são as pessoas que estão no desemprego, é a pobreza, mas seria pior ainda se não houvesse estado social. 

Ora os portugueses não podem viver mais 20 ou 30 anos desta maneira, argumenta a candidata. “Até porque as políticas de austeridade dos últimos anos têm consequências muito concretas, não são números, não são indicadores económicos que o governo apresenta como positivos mas que são desmentidos todos os dias. Não! Os números são pessoas concretas, com vidas concretas, com direito a sonhos. São as pessoas que foram forçadas a emigrar, são as pessoas que estão no desemprego, é a pobreza, mas seria pior ainda se não houvesse estado social. Não fossem os apoios sociais e metade da população estaria numa situação de pobreza ou próxima dela”.

Mas o governo ataca com toda a sanha tudo o que é público, prosseguiu Marisa Matias, ataca o Estado social, a dizer que é gordo, que é ineficiente, que vivemos acima das nossas possibilidades. “Nós temos que dizer: não, não vivemos, quem vive acima das nossas possibilidades são os mercados financeiros, são os interesses instalados”.

Malabarismos sobre a taxa de desemprego

A coordenadora nacional do Bloco Catarina Martins falou em seguida sobre os números do desemprego divulgados nesta sexta-feira.

Sempre que se facilitam os despedimentos cria-se só e apenas desemprego e nunca emprego. Sempre que se precariza o trabalho torna-se o país mais pobre e quem vive do trabalho mais pobre, nunca se resolve problema algum, diz Catarina Martins.

“Em três meses, em Portugal, mais de 60 mil pessoas ficaram inativas. Foram destruídos mais de 60 mil postos de trabalho só em três meses. Emigraram nestes três meses mais de 12 mil pessoas. É difícil ver em que altura histórica Portugal teve tão pouca população ativa em percentagem. Temos um país que se esvazia de gente, que se esvazia de capacidade de criar riqueza, em que a cada dia há menos gente a trabalhar. Bem pode o governo fazer os malabarismos que quiser sobre a taxa de desemprego. Um país em que há menos gente a trabalhar que nunca, é um país que tira oportunidades”.

Em seguida abordou as propostas do governo para a contratação coletiva, anunciadas esta sexta-feira. “Lembram-se que o governo dizia que era preciso alterar a legislação de trabalho para criar emprego? Mas sempre que se facilitam os despedimentos cria-se só e apenas desemprego e nunca emprego. Sempre que se precariza o trabalho torna-se o país mais pobre e quem vive do trabalho mais pobre, nunca se resolve problema algum”.

Referindo-se às novas propostas do governo, Catarina Martins disse que o governo quer acelerar a caducidade de todos os contratos coletivos e que a partir do momento em que eles caducam, os salários podem baixar. “Afinal a intenção do governo era mesmo baixar os salários dos privados”, sublinhou. “Esta proposta é um apelo ao patronato para que não queira nunca mais a contratação coletiva, para que a selva seja a regra no direito do trabalho em Portugal e para que todos os salários possam descer”.

O país precisa estar de pé

É por isso que este país precisa estar de pé, concluiu. “De pé a dizer que não aceita a chantagem da precariedade. De pé a dizer que não aceita a chantagem contra a Constituição. De pé a dizer que não aceita a chantagem da dívida”.

No início do comício, falaram Manuela Antunes, que abordou a questão do encerramento dos serviços, uma das principais preocupações do interior, e Rui Cortes, que falou sobre as assimetrias entre o interior e o litoral.

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