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"Que nenhum euro da resposta à crise seja desviado para alimentar a ganância do sistema financeiro"

Em declaração política no Parlamento, José Manuel Pureza defendeu o fim da "sangria" de dinheiros públicos para o Novo Banco, aproveitando também para criticar quem "ensaia dramatizações postiças" numa altura de máxima exigência política.
"Que nenhum euro da resposta à crise seja desviado para alimentar a ganância do sistema financeiro"
Fotografia de Mário Cruz/Lusa.

Na sua declaração política desta tarde na Assembleia da República, o deputado bloquista José Manuel Pureza falou das prioridades na resposta à crise, defendendo que “nenhum euro necessário para responder à crise, aos apoios sociais ou à saúde, seja desviado para continuar a alimentar a ganância do sistema financeiro”, fazendo referência à situação do Novo Banco. 

Para Pureza, a pandemia da covid-19 reforçou a importância do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e da escola pública e alertou para o atual modelo dos lares.

“Não é mais tolerável que o cuidado dos velhos fique entregue ao negócio ou ao amadorismo bem-intencionado. Precisamos de dar a máxima urgência ao cuidado domiciliário qualificado e a uma rede pública de cuidados”, disse. É por isso que não é “concebível qualquer hesitação na contratação dos tantos profissionais de saúde de que o SNS carece”, ainda mais quando esta promessa estava incluída no Orçamento do Estado para 2020. 

A pandemia da covid-19 tornou ainda mais clara a necessidade de lutar pelos direitos laborais, sendo claro que “o país precisa de aumento significativo, e não residual, do salário mínimo e de aumentos salariais que puxem pelo mercado interno”.

“A resposta certa que o país precisa é a de reforço dos direitos de quem trabalha, tirando da lei tudo aquilo que humilha o trabalhador e diminui a sua cidadania plena”.

A crítica à sangria de dinheiros públicos para o Novo Banco também fez parte da declaração política desta tarde. 

“Para recuperar a força dos serviços públicos, para contratar médicos, enfermeiros e técnicos para o SNS ou professores e auxiliares para a escola pública, para resgatar a dignidade dos salários e das pensões, para reforçar a rede de cuidados continuados ou para afirmar um Estado prestador de cuidados e não apenas financiador de quem o faz, para tudo isso nunca há dinheiro e exigi-lo é logo qualificado como impertinência ideológica”, denunciou José Manuel Pureza.

O deputado e vice-presidente da Assembleia da República teve ainda oportunidade de referir que considera lamentável que, num tempo de “exigência política máxima”, tenha havido quem “ensaiasse dramatizações postiças para abrir crises políticas ainda mais postiças”.

A lidar com os impactos da atual crise, “o país tem mais com que se preocupar do que com sobressaltos políticos”, afirmou.

“Pela nossa parte, não desistimos de nada. Assumimos a máxima determinação para que os argumentos da justiça e da democracia vençam os argumentos do medo e do conformismo”.

Termos relacionados Orçamento do Estado 2021, Política
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