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“Que acabe a impunidade das elites e comece o tempo da justiça fiscal”

Marisa Matias acusou os bancos portugueses de terem “funcionado sistematicamente como uma máquina de acumulação que favorece as elites parasitárias deste país”, numa intervenção em que voltou a frisar que “Bruxelas tem tudo a ver com isto”.
Marisa Matias em comício em Almada, Europeias 2019. Foto de Paula Nunes

Num comício no Incrível Almadense, Marisa Matias sublinhou a importância de debater o projeto europeu que é o “que pode ou não permitir termos um país mais justo, solidário e onde toda a gente tenha vontade de viver”.

A intervenção da candidata do Bloco foi marcada por duras críticas às “elites de sempre” para quem vai tudo “aquilo que não chega a quem precisa”, “aquilo que tem sido retirado a salários e a pensões, mas que nunca faltou às elites parasitárias”. Para Marisa Matias, este “não é um fenómeno natural” como tem sido tratado por sucessivos governos, porque a “cada vez que correu mal foi a nós, aos contribuintes, aos trabalhadores e aos pensionistas que vieram buscar o dinheiro que era necessário para resgatar ou para resolver problemas com vendas de bancos que saíram mal. Tem de deixar de ser assim”, frisou.

Queremos um sistema de segurança social único, público e solidário

Segundo Marisa, engana-se quem acha que Bruxelas nada tem a ver com isto e lembrou episódios como a venda do BANIF – com a União Europeia a escolher o Santander espanhol como comprador -, a não integração do Novo Banco na esfera pública após recomendação de Bruxelas, “as condições ruinosas à necessária recapitalização da Caixa Geral de Depósitos apenas para beneficiar a concorrência dos privados”, o próprio Durão Barroso, que depois de dez anos na Comissão Europeia está agora no “pior banco do mundo, a Goldman Sachs”, ou até Jean-Claude Juncker, “o santo padroeiro dos paraísos fiscais na União Europeia”.

“As pessoas merecem que acabe a impunidade e que comece o tempo da justiça fiscal”, defendeu Marisa, para quem a justiça fiscal é um imperativo da democracia.

Marisa Matias notou ainda o facto de o Bloco de Esquerda ter sido o único a trazer para esta campanha “o verdadeiro debate sobre as pensões” e os “planos obscuros de privatizar os sistemas públicos de segurança social a nível europeu”. Segundo a eurodeputada, este plano passa por “diferenciar e transformar os sistemas de segurança social em sistemas para pobres e outros para ricos”. “ Nós queremos um sistema único, público e solidário”, esclareceu.

José Gusmão: “O europês é uma mistura de cinismo, jargão tecnocrático e mentira pura e dura”

José Gusmão, número dois na lista do Bloco às europeias, começou por falar da “economia do absurdo, que de tão repetida, de tão propagada e propagandeada, se tem tornado no senso comum dentro da economia”, uma“economia sem sentido” em que ter as contas certas “é honrar todos os compromissos a não ser os compromissos com as pessoas. É ganhar a confiança dos mercados e perder a confiança dos cidadãos”.

Segundo o dirigente bloquista, ter as contas certas “é termos uma rede de escolas públicas que chega a todo o país e com qualidade” e contas erradas é “fechar escolas públicas para contratar colégios privados”, é termos um Serviço Nacional de Saúde em que o Estado investe em hospitais e na formação de profissionais para gestão própria e não para alimentar o lucro privado, é “termos uma política de apoio ao transporte coletivo” que chegue a todo o país e não “sabotá-la com a asfixia financeira”, é “termos uma empresa de energia pública que apoia as famílias e a economia” e não “privatizar essa empresa para termos hoje a eletricidade mais cara da Europa”, é “regular o sistema financeiro” para que sejam os “banqueiros a pagar as suas fraudes” e não “os contribuintes a pagar pela incompetência da banca privada em Portugal”.

Bruxelas usa linguagem do absurdo para vender economia do absurdo

Para José Gusmão, a economia do absurdo reflete-se no “europês”, essa língua que se fala muito em Bruxelas e que é “uma mistura de cinismo, jargão tecnocrático e mentira pura e dura”. Uma língua em que as imposições políticas são denominadas de recomendações, as imposições de cortes um ajustamento, e às crises económicas e ao desemprego chamam de “crescimento negativo e mobilidade laboral”.

É a “linguagem do absurdo para vender economia do absurdo”, considerou Gusmão, sublinhando que essa é uma linguagem “que não assiste ao Bloco de Esquerda”.

Anabela Rodrigues: “Alô, liberdade, Desculpa eu vir Assim sem avisar, porque a Europa está sem rumo”

Os versos da bonita canção de Chico Buarque – Alô Liberdade - foram o mote da intervenção de Anabela Rodrigues. A quarta candidata na lista do Bloco às europeias afirmou que "esta Europa está sem rumo" e destacou que “este país, assim como a Europa, tem imigrantes que constroem este país todos os dias, que contribuem para a economia”, pessoas que “gritam por serviços públicos e não têm plenos direitos”, e sublinhou que “muitos deles estão vedados de ir votar no dia 26 de maio”. O rumo do Bloco, segundo Anabela Rodrigues, deve ser “contra todos aqueles que são a favor dessa Europa Fortaleza” e avisou que “nós continuaremos a vir sem avisar” para ajudar a Europa a caminhar para o rumo certo.

João Lavinha: “Com o meu voto no domingo quero influenciar as políticas da União Europeia"

João Lavinha, segundo candidato do Bloco em 2014, declarou o seu voto no Bloco de Esquerda nestas eleições e com esse voto “influenciar as políticas da União Europeia”. Dos deputados eleitos disse esperar um forte compromisso pelo clima, e que “estejam do lado da redução dos efeitos das alterações climáticas e da melhorias da sustentabilidade ambiental, mais transportes públicos, menos poluentes, mais energias renováveis, uma agricultura biológica liberta do agro-negócio dos pesticidas e dos organismos geneticamente modificados”.


Catarina Martins: “Queremos construir a Europa da dignidade para quem trabalha”


O comício em Almada contou igualmente com intervenções de Catarina Martins, de Joana Mortágua e de Zélia Afonso, que dedicou a sua intervenção a Chico Buarque, Prémio Camões 2019.

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