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Quase 60% dos médicos portugueses concordam com legalização da eutanásia

Segundo um estudo de investigadores da Universidade do Porto, o sofrimento manifestado pelo doente em consequência da doença é, para os médicos, o critério mais relevante e o respeito pela autonomia é uma condição.
Foto de Paulete Matos.
Foto de Paulete Matos.

A maioria dos médicos portugueses inquiridos num estudo sobre eutanásia afirmaram ser a favor da sua legalização, segundo um estudo de investigadores da Universidade do Porto publicado na Revista Iberoamericana da Bioética e disponível em acesso livre.

O estudo "Determinantes na opinião sobre eutanásia em amostra de médicos portugueses" inquiriu 251 médicos e médicas de 15 centros de saúde e seis hospitais da região norte do país. Os investigadores do Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde (CINTESIS) apuraram que a maioria (58,1%) declarou ser a favor da legalização da eutanásia, sobretudo entre os médicos mais jovens, com menos tempo de serviço e sem crenças religiosas.

A opinião dos inquiridos varia, no entanto, com o cenário concreto apresentado. 55% concordaram com cenários de eutanásia voluntária, em que um adulto com doença incurável, terminal, incapacitante, ou com dor ou sofrimento insuportáveis, manifestasse vontade explícita de terminar a vida. Mas menos de 40% concordaram com cenários de eutanásia involuntária, e só 20% a aceitam em casos de adultos com doença terminal que ainda gozem de boa qualidade de vida.

Miguel Ricou, um dos autores do estudo, afirmou à agência Lusa que os casos concretos influenciaram fortemente a opinião dos inquiridos, e que "o sofrimento manifestado pelo doente em consequência da doença é, para os médicos, um critério mais relevante que o respeito pela autonomia". Colocados perante cenários de eutanásia a pedido da família ou terceiros, "o procedimento é tido como ‘inaceitável’ pela maioria dos participantes”, sustentou o investigador do CINTESIS.

 

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