Está aqui

Quase 200 pedreiras estão em “situação crítica”

Um relatório do governo identifica 191 pedreiras, 13% das que dependem do Estado central, com “situações críticas” e 34 a precisarem de intervenção imediata. Federação sindical considera o resultado “surpreendente” e pede divulgação completa do relatório.
Nas pedreiras de Estremoz - Foto wikimedia
Nas pedreiras de Estremoz - Foto wikimedia

Segundo o jornal “Expresso” deste sábado, o ministério do Ambiente já tem o relatório que pediu após o acidente que matou cinco pessoas em Borba e o seu conteúdo dará lugar a uma resolução do Conselho de Ministros a aprovar proximamente.

De acordo com o jornal, o relatório identifica 191 pedreiras com “situações críticas”, das quais 77 situam-se no Norte, 32 no Centro, 24 em Lisboa e Vale do Tejo, 55 no Alentejo e três no Algarve. De entre as “medidas preventivas” necessárias, 54 destinam-se a evitar o “colapso ou abatimento de caminhos públicos, estradas municipais ou estradas nacionais”.

34 das pedreiras assinaladas necessitam de intervenção imediata, pois têm uma “criticidade” que é “elevada”. Nas restantes, a prioridade é “moderada” ou “baixa”. A intervenção nessas 34 pedreiras custará, segundo as previsões governamentais, cerca de 14 milhões de euros, um valor que será suportado pelos privados, responsáveis por essas pedreiras. Se esses privados não tomarem as medidas necessárias, o Estado fará as obras, exigindo ser ressarcido posteriormente pelos empresários e/ou donos do terreno.

O relatório decretado pelo Governo, “Plano de Intervenção nas Pedreiras em Situação Crítica”, incidiu sobre 1.427 pedreiras de maior dimensão e complexidade, cujo licenciamento cabe à Direção-geral de Energia e Geologia.

Das 191 pedreiras com “situações críticas”, 178 (93%) requerem a realização de algum tipo de obra, havendo necessidade de estudos prévios e/ou projetos de execução.

Situação surpreendente”

Nuno Gonçalves, dirigente da Federação Portuguesa dos Sindicatos da Construção, Cerâmica e Vidro (FEVICCOM), disse à Lusa que o resultado é “surpreendente”.

“Não conhecemos o estudo, mas achamos que vem comprovar, efetivamente, aquilo que nós há muitos alertamos, não só no acidente (Borba) e, infelizmente, foi preciso o acidente para os serviços do Estado procederem a este estudo e a este levantamento”, disse o sindicalista.

À TSF, Nuno Gonçalves disse que os sindicatos vão pedir ao ministro a divulgação do relatório na íntegra.

Termos relacionados Ambiente
(...)