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"Quando se trata de direitos laborais, não recuamos"

Catarina Martins afirmou no Barreiro que "não recuamos" nem "fazemos zigue zagues" com direitos laborais, em resposta à crise governamental em torno dos professores. Sublinhou ainda que "estamos atentos" com a discussão da Lei de Bases da Saúde na especialidade.
Jantar-comício no Barreiro, 7 de maio de 2019. Foto de Paula Nunes.
Jantar-comício no Barreiro, 7 de maio de 2019. Foto de Paula Nunes.

Catarina Martins afirmou que o Bloco não recua quando estão em jogo os direitos de quem trabalha, seja no público seja no privado. Comentando num comício no Barreiro a polémica em torno da recuperação do tempo de serviço dos professores, criticou também o "número de campanha" do primeiro-ministro e a "irresponsabilidade" da direita.

A porta-voz do Bloco começou por passar em revista exemplos do que de bom se conseguiu nesta legislatura: descongelar pensões, aumentar o salário mínimo a cada ano "embora todos os anos tenha havido chantagens", manuais escolares gratuitos, passes de transporte mais baratos. Tudo isto foi possível porque "fomos determinados e soubemos fazer os compromissos necessários".

Com estes exemplos, "o PS faz mal quando deixa o país nas mãos da direita", afirmou Catarina em referência à Lei de Bases da Saúde e da contagem do tempo de serviço dos professores. "A direita recuou e a grande crise do primeiro-ministro não passou de mais um número de campanha, mas não é assim que respondemos pelas nossas responsabilidades. Quando se trata de direitos laborais, seja no público seja no privado, nós não recuamos, e mantemos sempre os nossos compromissos", reiterou.

Pela parte do Bloco, Catarina afirmou que "a coerência vale, não fazemos zigue zagues", pelo que "somos claros: não brincamos com a vida das pessoas. É uma irresponsabilidade quem diz uma coisa num dia e outra coisa no dia seguinte". Por essa razão, não "ouvirão dizer que recuamos num acordo que já foi feito, e nunca nos ouvirão dizer que não sabíamos o que estávamos a votar". Pelo contrário: "não recuamos, fazemos o que fizemos até agora e temos muito trabalho pela frente”.

Esse trabalho pela frente inclui vários assuntos ainda nesta legislatura: saúde, legislação laboral, trabalho por turnos, cuidadores informais, lei de bases da habitação. Retomando o tema Lei de Bases da Saúde, Catarina relembrou que nos próximos dias, com a votação na especialidade ver-se-á "quem quer salvar o SNS, e quem quer alimentar os grupos privados com o Orçamento de Estado que deve servir a todos", pois este dossier "pode ser incómodo para o PS, mas não desapareceu", donde "continuamos atentos".

Catarina Martins ironizou ainda com duas posturas que se tem visto na campanha para as Europeias: quem prefere "fazer de conta que nem há eleições, porque a campanha não corre bem", e quem "diz uma coisa em Portugal e faz outra em Bruxelas", falando por cá de mais fundos estruturais enquanto vota por lá "os tratados que retiram possibilidades de investimento ao país", ou defende sanções económicas contra Portugal, como a direita chegou a fazer. Elogiando o trabalho de Marisa Matias como uma das deputadas mais trabalhadoras no Parlamento Europeu, Catarina lembrou ainda a pusilanimidade de Bruxelas face às offshores e ao dinheiro clandestino, cujo reverso é a sua imposição implacável de políticas de austeridade: "Nunca nos digam que não temos dinheiro. Perguntem sempre: para onde está ele a ir?".

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