Qualidade da água nas praias agrava-se, alerta Zero

11 de agosto 2023 - 16:55

Associação ambientalista assinala que 28 praias já estiveram interditas e mais de 29 praias já tiveram banho desaconselhado ou proibido esta época balnear, em ambos os casos, mais sete do que em período semelhante de 2022. Zero denuncia falhas graves no Sistema de Informação Nacional.

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Foto de Kolforn, Wikimedia.

De acordo com os dados divulgados pela Zero, com base na informação disponibilizada pelo Sistema Nacional de Informação de Recursos Hídricos, existem atualmente 658 águas balneares, sendo que o desaconselhamento ou proibição de banhos, mesmo que durante um curto período de tempo, afetou 29, mais sete do que o registado no período homólogo. Conforme explica a associação ambientalista, nestas zonas balneares as análises ultrapassaram os limites fixados tecnicamente a nível nacional relativamente a pelo menos um dos dois parâmetros microbiológicos que são avaliados (Escherichia coli e Enterococus intestinais). 

Acresce que 28 praias foram interditadas até ao momento,também mais sete do que em 2022. Em causa está, na maioria dos casos, a má qualidade da água, mas existem também situações de obras de desobstrução da praia ou riscos de instabilidade na arriba. A Zero refere que 22 praias têm assinaladas a interdição no Sistema de Informação, ainda que não sejam esclarecidas as razões dessa interdição. Nas restantes seis, a interdição “foi amplamente divulgada apenas na comunicação social”.

A Zero especifica quais as águas balneares que apresentaram maior número de situações de água imprópria: Poças do Gomes – Doca do Cavacas e Gorgulho, no Funchal, com três situações de desaconselhamento ou proibição de banhos. Ainda assim, “aparentemente” não foi oficializada qualquer interdição.

Com duas situações com desaconselhamento ou proibição de banhos encontram-se quatro praias em Albufeira (Galé-Leste, Galé-Oeste, Inatel-Albufeira e Pescadores), e uma praia em cada um dos concelhos de Aljezur (Amoreira-Rio), Cascais (Duquesa), Matosinhos (Matosinhos) e Porto (Castelo do Queijo).

Albufeira conta com o maior número de praias afetadas por qualidade imprópria e/ou interdições: sete praias.

Zero denuncia falhas graves no Sistema de Informação Nacional

A associação ambientalista aponta que na origem das falhas está o facto de nem sempre serem esclarecidos devidamente os motivos de interdição das zonas balneares e os procedimentos por parte dos Delegados Regionais de Saúde e de a página da APA dedicada a comunicar desaconselhamentos e interdições da prática balnear não estar consistente com a informação do Sistema de Informação de Recursos Hídricos.

Acresce que existem 41 águas balneares sem quaisquer resultados de análises disponibilizados (6,2% do total).

Tendo em conta que as praias interiores são proporcionalmente mais afetadas, a Zero apela “à necessidade de averiguar causas e acima de tudo prevenir contaminação”.

“É fundamental identificar a origem dos problemas e averiguar responsabilidades, desempenhando a Agência Portuguesa do Ambiente e a Inspeção Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território um papel decisivo”, escreve a Zero.