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PSD ignora caso Selminho e firma acordo com Rui Moreira

Depois de uma “guerra de alecrim e manjerona durante a campanha” e de promessas de “banhos de ética”, a direita juntou-se no Porto “pelo modelo de cidade negócio que afinal - como sempre dissemos - partilha”, acusa o vereador bloquista Sérgio Aires.
O vereador do Bloco de Esquerda relembra que Rui Rio prometeu “banhos de ética”.
O vereador do Bloco de Esquerda relembra que Rui Rio prometeu “banhos de ética”. Foto de José Coelho, via Lusa [arquivo].

Rui Moreira e PSD anunciaram esta semana um acordo de governação para a câmara do Porto. O PSD não irá assumir qualquer pelouro no executivo mas apresenta o candidato à presidência da Assembleia Municipal. Rui Moreira obtém assim o resultado que ambicionava obter nestas eleições, controlando simultaneamente o executivo e a Assembleia Municipal com maioria.

Sérgio Aires, o primeiro vereador eleito pelo Bloco de Esquerda no Porto, criticou esta quinta-feira o acordo de governação entre o movimento de Rui Moreira e o PSD, instando os sociais-democratas a explicar o que farão se o independente for condenado no caso Selminho.

“A direita fez uma guerra de alecrim e manjerona durante a campanha para agora se juntar pelo modelo de cidade negócio que afinal - como sempre dissemos – partilha. Nada de novo, portanto, e nada que não tenha acontecido nos mandatos anteriores de Rui Moreira: total ausência de oposição por parte do PSD”, defendeu Sérgio Aires em declarações à Lusa.

O vereador do Bloco de Esquerda relembra que Rui Rio prometeu “banhos de ética”, mas agora “não há uma explicação do PSD sobre o que fará se Rui Moreira for condenado no caso Selminho”, no qual é suspeito de favorecer a imobiliária da família, da qual também era sócio.

No acordo entre o PSD e Rui Moreira, terão sido definidas prioridades na redução da carga fiscal, a transferência de competências para as freguesias, a mobilidade, a criação de uma rede de creches e a redução da fatura da água.

Sérgio Aires questiona sobre os seus impactos reais e pergunta quem vão beneficiar. A redução da carga fiscal “é uma medida inócua para as e os portuenses (mais dinheiro no bolso de quem?)”, e avisa que a transferência de competências para as freguesias será uma medida “igualmente vazia se não for acompanhada das verbas que as juntas têm reivindicado e que o Bloco de Esquerda tem defendido”.

Em matéria de mobilidade, Sérgio Aires acusa o PSD de estar do lado oposto de quem luta pela redução da utilização do automóvel e pelo combate às alterações climáticas. Diz ainda que a promessa eleitoral do PSD de ter uma creche em cada freguesia “fica aquém das reais necessidades da cidade”, que “sem soluções transversais não será o suficiente para trazer as pessoas de volta ao Porto”.

Sérgio Aires afirma ainda “ser curioso” que Rui Moreira, “por uma questão de xadrez político”, se mostre agora disponível para reduzir a fatura da água, quando recusou, durante os últimos quatro anos, implementar a recomendação que o Bloco fez aprovar em Assembleia Municipal. “A aliança da direita só vem reforçar aquela que sempre foi a posição clara e transparente do Bloco: ser uma força de oposição no Porto e lutar pela construção de outro modelo de cidade”, rematou.

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