"PS está em negação face à realidade europeia"

22 de abril 2015 - 12:47

Mariana Mortágua diz que as propostas económicas apresentadas pelo PS são irrealistas e acusa António Costa de tentar fazer a quadratura do círculo quando diz que consegue ao mesmo tempo evitar a austeridade em Portugal e aceitá-la na Europa.

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Mariana Mortágua diz que os cenários do PS não têm em conta a realidade do Tratado Orçamental com que António Costa se comprometeu. Foto Paulete Matos

As linhas gerais do programa económico que o Partido Socialista apresentou na terça-feira "assentam numa base irrealista", defendeu a deputada bloquista Mariana Mortágua em conferência de imprensa. "Ele é irrealista no atual contexto da União Europeia e do seu cenário macroeconómico, é uma ilusão quanto à redistribuição de rendimentos que a TSU implica, é irresponsável em termos de política económica porque não trava as privatizações de setores estratégicos e é uma impostura no que diz respeito à sua visão sobre o mercado de trabalho", resumiu.

"O PS está em negação quanto à realidade da União Europeia: O cenário apresentado como o mais pessimista e que o PS diz querer evitar é o que estamos a viver hoje e tem um nome: chama-se Tratado Orçamental", afirmou Mariana Mortágua. "António Costa parece querer fazer aqui a quadratura do círculo, que é dizer que consegue evitar em Portugal a austeridade e aceitar a austeridade a nível europeu", prosseguiu a deputada o Bloco.

Para Mariana Mortágua, a proposta do PS para reduzir a Taxa Social Única "é uma ilusão", uma vez que propõe devolver rendimentos no presente às pessoas para lhes retirar no futuro. "Ela acrescenta pressão à Segurança Social e não responde ao problema da desigualdade", resumiu a deputada.

Também o recuo do PS na reposição dos salários cortados vai merecer a oposição do Bloco, que acusa a direção socialista de incoerência. "Não compreendemos como é que o PS envia para o Tribunal Constitucional os cortes de salários do atual Governo e agora apresenta uma proposta em que admite que não devolve os salários até 2017", explicou Mariana Mortágua.

"Num país onde se despediram 300 mil trabalhadores nos últimos anos, o PS acha que o problema do mercado de trabalho é a dificuldade em despedir. Isto é uma impostura. A maior parte dos contratos a prazo que existem já são ilegais e abusivos", defendeu a deputada do Bloco, prevendo que a diferença da medida proposta do PS, a aplicar-se, será que "os contratos abusivos vão continuar e vai ser ainda mais fácil despedir".

No que respeita às privatizações, Mariana Mortágua registou o silêncio em relação aos setores privatizados e em vias de privatização, recordando o historial dos governos PS, autores das maiores privatizações da história do país. Para a deputada bloquista, o prejuízo para os cofres públicos está à vista: "Só a PT deu em dez anos 11.5 mil milhões de euros aos acionistas e a EDP deu 600 milhões só num semestre. São estas as empresas lucrativas que fazem falta ao país, do ponto de vista orçamental e estratégico".

Também as propostas sobre alterações aos contratos a prazo foram condenadas por Mariana Mortágua, considerando-as mesmo "uma impostura". "Num país onde se despediram 300 mil trabalhadores nos últimos anos, o PS acha que o problema do mercado de trabalho é a dificuldade em despedir. Isto é uma impostura. A maior parte dos contratos a prazo que existem já são ilegais e abusivos", defendeu a deputada do Bloco, prevendo que a diferença da medida proposta do PS, a aplicar-se, será que "os contratos abusivos vão continuar e vai ser ainda mais fácil despedir".

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