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PS de Coimbra expulsa cem militantes

Manuel Alegre pede fim imediato do "delírio persecutório" que levou à expulsão dos investigadores universitários Pedro Bingre e Elísio Estanque e do antigo presidente do União de Coimbra Júlio Ramos.
Pedro Bingre: “Quando um governo é injusto, o único lugar dos justos é na prisão". Foto do Facebook de Pedro Bingre.
Pedro Bingre: “Quando um governo é injusto, o único lugar dos justos é na prisão". Foto do Facebook de Pedro Bingre.

O histórico socialista Manuel Alegre apelou ao secretário-geral do PS e aos "históricos" socialistas para porem fim ao "delírio persecutório" de expulsões no PS/Coimbra e aos métodos "inquisitoriais e estalinistas" contra militantes.

O ex-candidato presidencial disse ter tomado conhecimento que os investigadores universitários Pedro Bingre e Elísio Estanque, e o antigo presidente do União de Coimbra Júlio Ramos estão entre os expulsos. Os três foram expulsos por terem apoiado o movimento de independentes Cidadãos por Coimbra nas últimas eleições autárquicas.

Também foi expulsa ex-coordenadora da secção da Sé Nova do PS/Coimbra Cristina Martins.

“Em 2006, candidatei-me à Presidência da República apoiado pelo Movimento de Intervenção e Cidadania (MIC), do qual sou presidente do Conselho de Fundadores, e contra o candidato oficial do PS, mas não fui expulso do partido", recordou Alegre.

Não me sinto bem num partido regido por métodos inquisitoriais”

"Apetece-me pedir para que me expulsem também a mim, porque não me sinto bem num partido regido por métodos inquisitoriais e estalinistas, que põem em causa a sua natureza de partido da liberdade. Faço um apelo ao secretário-geral do PS e a todos os dirigentes históricos do PS para que atuem no sentido de pôr fim a este delírio persecutório, que não é tradição do PS", acentuou o também membro do Conselho de Estado, em entrevista à agência Lusa.

"Apetece-me pedir para que me expulsem também a mim, porque não me sinto bem num partido regido por métodos inquisitoriais e estalinistas, que põem em causa a sua natureza de partido da liberdade", disse Manuel Alegre.

Alegre sublinhou ainda a contradição que existe entre as expulsões de Coimbra e a preparação de eleições primárias para escolher o candidato a primeiro-ministro do PS.

O presidente da Comissão Nacional de Jurisdição do PS, António Ramos Preto, defendeu a legalidade do processo e frisou que a candidatura em listas contrárias às do partido é uma conduta que "está claramente consagrada nos Estatutos como falta grave".

A pena de expulsão do partido é a sanção máxima para violações das regras partidárias e só pode ser aplicada se ocorrer uma "falta grave". A advertência, a censura e a suspensão até um ano são os outros tipos de sanção previstos.

Elísio Estanque assinala a duplicidade de atitudes

Na sua página do Facebook, Elísio Estanque assinala a duplicidade de atitudes que pune a integração numa lista de cidadãos independentes e de esquerda para um movimento de candidatura às autárquicas mas não o militante e ex-presidente de concelhia (Luis Vilar), que “foi acusado pelos tribunais por vários crimes e condenado por corrupção e branqueamento de capitais, e impedido de exercer cargos públicos”.

Já Pedro Bingre afirma que a as oligarquias partidárias começaram a dispensar a democracia e recorrer ao velho método do autoritarismo – como sempre maquilhado de escrupuloso cumprimento da letra das leis, mesmo quando se viola o seu espírito.

O investigador chama a atenção para o facto de estar a decorrer uma investigação judiciária após terem sido detetados sérios indícios de fraude eleitoral nas eleições internas do PS.

“Quando um governo é injusto, o único lugar dos justos é na prisão. Assim ensinaram e praticaram Thoreau, Gandhi e Luther King”, afirma Pedro Bingre.

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