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Protestos no Irão contra subida de preços de bens alimentares

O governo iraniano cortou os subsídios aos alimentos à base de trigo e aumentou preços de óleos alimentares e produtos lácteos. Desde a semana passada que há manifestações no país convocadas pelas redes sociais.
Iraniano compra ovos e Teerão. Foto de ABEDIN TAHERKENAREH/EPA/Lusa.
Iraniano compra ovos e Teerão. Foto de ABEDIN TAHERKENAREH/EPA/Lusa.

A semana passada, o presidente iraniano Ebrahim Raïssi anunciou o corte dos subsídios estatais a alguns bens alimentares e aumentos de preços. Depois disto, surgiu uma onda de protestos em várias cidades. A agência noticiosa Reuters dá conta de notícias não confirmadas sobre a morte de quatro manifestantes.

Para além do fim dos subsídios de alimentos à base de trigo e farinhas, que levou a aumentos que chegaram aos 300%, também os preços de outros bens alimentares sofreram fortes aumentos por parte do Governo, como o óleo alimentar e os laticínios. A France Presse calcula que os preços dos óleos alimentares tenham quadruplicado e que os dos ovos e frangos tenham duplicado.

Porém, o chefe de Estado do país garantiu que os preços do pão, dos combustíveis e dos medicamentos permaneceriam inalterados e que entre 10 a 13 dólares chegariam todos os meses aos mais carenciados de forma a compensar estes aumentos.

As primeiras reações depois do anúncio foram de corrida aos supermercados, como mostraram imagens da televisão nacional iraniana e vídeos partilhados nas redes sociais. Também nas redes sociais, encontram-se muitos vídeos publicados nos últimos dias, nos quais se vê que têm ocorrido manifestações em pelo menos 40 cidades. De acordo com estas publicações, as exigências dos manifestantes estão a ultrapassar a questão do custo de vida, exigindo em alguns casos mais liberdade e o fim do atual regime.

Outros vídeos indicam a existência de quatro mortes durante os protestos. A Reuters salvaguarda que não está em condições de verificar a sua autenticidade. Mas a agência noticiosa iraniana ILNA noticiou no sábado que um político local, Ahmad Avai, confirmou a morte de um manifestante em Dezful, uma cidade do sudoeste do país. Esta mesma agência refere que há mais de duas dezenas de presos em Dezful e em Yasouj e que em Izeh, na mesma região, houve ataques a lojas e a tentativa de incendiar uma mesquita.

A NetBlock, uma organização não governamental que monitoriza a liberdade de acesso à Internet, informou no sábado que as ligações da operadora do Irão MobinNet estavam outra vez com perturbações depois de vários cortes se terem registado nos últimos dias.

A última onda de protestos no país aconteceu em novembro de 2019 em reação à subida dos preços dos combustíveis e foi fortemente reprimida. As autoridades iranianas calculam que 230 pessoas foram mortas nessa ocasião. Peritos que trabalham para a ONU elevam a contagem para 400 mortes.

Desde então a crise não abrandou. Segundo o governo iraniano, na sequência das sanções norte-americanas, a inflação anda à volta de 40% e quase metade dos 85 milhões de habitantes do país vivem abaixo do limiar da pobreza.

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