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Protesto em comboio contra mina de urânio junto à fronteira de Portugal

A Plataforma Stop Urânio e as associações Quercus e Azu promovem neste fim de semana uma viagem de comboio contra a instalação da mina de urânio a céu aberto, em Retortillo, Salamanca, junto à fronteira com Portugal.

Segundo a Quercus, a iniciativa decorrerá ao longo da linha ferroviária do Douro, de Pocinho ao Porto, e terá momentos reivindicativos, debates e conferências de imprensa. Pode aceder ao programa aqui.

A Marcha Ibérica junta ambientalistas de Portugal e de Espanha e é organizada pela Plataforma Stop Urânio, sediada em Salamanca, e pelas associações portuguesas Quercus e Azu (Associação Ambiente em Zonas Uraníferas). Na página da Quercus no facebook são divulgadas notícias sobre a marcha deste fim de semana.

Os ambientalistas salientam que o protesto acontece quando se assinalam 20 anos do desastre Aznalcóllar (Espanha), provocado por " uma bolsa mineira que contaminou as águas de uma rio e solos e passados pouco mais de dois meses da manifestação em Salamanca que juntou mais de três mil pessoas, de Portugal e Espanha, contra a mina de urânio que a Berkeley Minera pretende instalar em Retortillo.

As associações ambientalistas sublinharam à Lusa que "é importante recordar que o desenvolvimento de projetos de mineração de urânio a céu aberto do outro lado da fronteira pode representar um tremendo risco para a vida do rio Douro e dos seus habitantes".

As associações apontam também que, se o projeto avançar, Portugal será afetado com a poeira radioativa e o gás radão e destacam que a Agência Portuguesa do Ambiente sublinha que uma mina em Retortillo é "suscetível de ter efeitos ambientais significativos em Portugal", por ser próxima da fronteira e devido a direção dos ventos de Este e Nordeste.

O deputado Pedro Soares, presidente da comissão parlamentar de Ambiente, alertou em fevereiro passado que a “mina de urânio em Retortillo terá impacto devastador em Portugal” e o Bloco de Esquerda apresentou uma recomendação para que o governo português atue junto do Estado espanhol no sentido de impedir a instalação da mina. Esta recomendação foi aprovada pela Assembleia da República com os votos favoráveis do Bloco de Esquerda, de Os Verdes, do PAN, do CDS, do PSD e do deputado Paulo Trigo Pereira do PS e as abstenções de PS e PCP.

As associações ambientalistas salientam que no debate no parlamento “todos os grupos parlamentares foram unânimes ao exigir firmeza por parte do Governo português, na defesa do território e das suas populações, face à ameaça que pende sobre Portugal, e em especial sobre toda a zona do Douro".

A Marcha Ibérica pretende divulgar os riscos para Portugal da instalação de uma mina de urânio em Retortillo e de uma fábrica de concentrado no Campo Charro de Salamanca e as associações defendem o projeto de instalação da mina seja imediatamente suspenso e seja realizada uma avaliação de impacte ambiental transfronteiriça, de acordo com a legislação em vigor.

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