Protesto dos professores desempregados

02 de setembro 2011 - 19:17

Está a ser divulgado no Facebook, por iniciativa de quatro docentes que não foram colocados, como cerca de outros 37 mil. Organizadores alertam que sem professores não há escola pública de qualidade.

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Cartaz de convocatória do protesto

Quatro professores desempregados lançaram na Internet um apelo à realização de um protesto contra o número de docentes que ficou sem colocação, que, segundo a Fenprof, chega aos 37 mil. Belandina Vaz, Sofia Alves, Sérgio Paiva e Miguel Reis afirmam estar a lutar quer pela sua vida quer pela qualidade do ensino.

O protesto será sábado, 10 de Setembro às 15h no Rossio, em Lisboa. Está a ser divulgado no Facebook, um evento chamado “protesto dos professores desempregados”, e é definido pelos quatro docentes como um protesto espontâneo. “Apelamos a toda a gente que queira vir, que tragam aquilo que quiserem, cartazes, amigos", diz Miguel Reis.

No manifesto divulgado naquela rede social, os quatro docentes afirmam que sem professores não há escola pública de qualidade. “Dezenas de milhares de docentes vão ser afastados em Setembro devido aos cortes irresponsáveis impostos às escolas. As consequências serão turmas maiores e menos apoios educativos”, alertam.

O texto relata as ameaças à qualidade da escola pública devido à redução radical do crédito de horas destinadas a projectos escolares e aos cortes orçamentais. “Os professores que ficarem terão ainda mais trabalho e menos salário. Muitos de nós, contratados, que toda uma vida profissional saltámos de escola em escola, sempre deixados de fora da carreira, seremos empurrados da precariedade para o desemprego. Este mega-despedimento ataca os nossos direitos mas também a escola pública como parte da democracia.”

Os quatro docentes rejeitam a argumentação que põe a culpa na dívida. “Mas não fomos nós – professores precários que se sacrificaram anos a fio – que fizemos essa dívida. Cabe a quem brincou com a economia do país e engordou com a crise assumir as suas responsabilidades. Nem os professores, nem a escola, nem os alunos devem pagar essa conta. Em vez de nos lançar na crise, é preciso investir na Escola para o país superar a crise.”

Professores e precários, dizem que não baixam os braços.