Está aqui

Protesto contra despejo de duas famílias frente ao Novo Banco

Dezenas de pessoas protestam esta terça-feira em frente à sede do Novo Banco que vai despejar duas famílias sem alternativa habitacional. Os ativistas pelo direito à habitação prometem não sair enquanto não forem encontradas soluções.
Protesto contra o despejo de duas famílias frente à sede do Novo Banco. Lisboa, janeiro de 2020.
Protesto contra o despejo de duas famílias frente à sede do Novo Banco. Lisboa, janeiro de 2020.

As associações Habita e Stop Despejo convocaram o protesto. Dezenas compareceram esta terça-feira na Rua Barata Salgueiro, em Lisboa, em frente à sede do Novo Banco. Querem que os processos de penhora e despejo de duas famílias sejam suspensos.

Os manifestantes prometem não sair “até que haja uma garantia de suspensão dos despejos e que seja aberto um processo de negociação com as famílias afetadas”, escreve a Habita em comunicado.

Nesse documento a associação analisa o papel dos bancos face aos problemas habitacionais: “os bancos são atores determinantes do processo de financeirização da habitação, desde há muito tempo” e a “política de habitação em Portugal, durante décadas, foi a de entregar dinheiro público aos bancos para bonificar os juros dos empréstimos para compra de casa”. E adianta: “nesta bonificação de juros foram gastos mais de 7000 milhões, quase 75% de todo o dinheiro investido pelo estado em habitação, quase 5 vezes o que foi gasto em programas de realojamento ou na promoção de habitação pública, que obtiveram menos de 1500 milhões”.

A Habita diz ainda que o “incentivo à compra de casa própria foi na realidade uma enorme ajuda aos bancos e criou todo um sistema para construir casas que ficaram vazias, que se sobreavaliaram as casas para empolar os empréstimos, que levou ao descalabro do crédito mal parado associado à crise financeira”. Todo um sistema que “não impediu que no fim muitas pessoas perdessem as casas e ainda assim mantivessem as dívidas”.

Os bancos, esses, “viram compensada esta tendência para a leviandade nos empréstimos com capitalizações sucessivas”, um risco que foi “suportado pelos nossos impostos”. Recordam os ativistas que o banco em que protestam “já recebeu do estado 3900 milhões de euros e vai receber este ano mais 600 milhões em grande contraste com os 135 milhões de euros orçamentados para a Habitação”. O problema deste “jogo macabro” é assim estrutural, ameaçando de despejo mais do que estas duas famílias. Mas estas duas histórias “são paradigmáticas e destapam inúmeras questões que necessitam de investigação: habitações sociais vendidas com crédito acabam sujeitas a penhora, esquemas de troca de fiadores desconhecidos entre si, escrituras de compra por procuração… a realidade do funcionamento na base dos esquemas e engrenagens que nos habituámos a ver no topo da circulação de capitais”.

Um destes casos é de uma penhora a favor da Finsolutia SA, fundo de gestão de activos tóxicos do Novo Banco, verdadeiramente comprado a preço de saldo para servir de veículo na angariação de dinheiro público. “Um poço sem fundo, onde se cruzam parentescos e nomes de família, desvios de dinheiro e fugas de informação.”

Os manifestantes esclarecem que propuseram uma negociação que trave estes despejos mas ainda não obtiveram resposta.

A Habita remata o seu comunicado considerando “vergonhoso que se continue a injetar capital em bancos privados suspeitos de fraude - e isso é opção política do governo-, precisamos de conhecer quem são os agentes de especulação imobiliária em Portugal e responsáveis por despejos”.

Termos relacionados Sociedade
(...)