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Protesto catalão corta fronteira no dia seguinte às eleições

O movimento “Tsunami Democrático” cortou a auto-estrada junto à fronteira com a França, num apelo à comunidade internacional para que obrigue o governo espanhol a sentar-se à mesa das negociações.
Corte de autoestrada junto à fronteira francesa.
Corte de autoestrada junto à fronteira francesa. Foto David Fullolà/MonDiari CAT

Tal como prometido, e apesar da guerra eletrónica promovida pelo governo de Madrid, bloqueando sites e procurando impedir o acesso à sua aplicação móvel, o Tsunami Democrático deu início esta segunda-feira a uma nova fase de mobilização para chamar a atenção do mundo para o que se passa na Catalunha.

Estão previstos três dias de ações de desobediência civil com forte impacto mediático, à semelhança da primeira ação do movimento que paralisou o aeroporto de Barcelona. O reforço da votação nos partidos independentistas nas eleições deste domingo, com a CUP a eleger deputados pela primeira vez que concorre às eleições espanholas e a Esquerda Republicana a eleger mais deputados do que o Ciudadanos, veio reforçar a exigência de uma solução dialogada para o conflito catalão.

Esta mobilização pretende “apelar à comunidade internacional que faça a Espanha entender que o único caminho a seguir é dialogar sobre autodeterminação, direitos fundamentais e liberdade dos presos, exilados e vítimas de represálias”, diz o movimento no comunicado publicado esta segunda-feira.

À ação do corte da autoestrada AP-7 seguiu-se o apelo para que as pessoas se dirijam à fronteira de La Jonquera, bloqueando assim efetivamente a ligação entre os dois países. Mas ao contrário da ocupação do aeroporto logo a seguir à sentença que condenou a penas de prisão efetiva os dirigentes independentistas, desta vez são os carros e não as pessoas que fazem o protesto, com os condutores a abandonarem os veículos na estrada. Segundo o movimento, até agora nenhum protesto com veículos no estado espanhol acabou com consequências penais ou administrativas.

O corte provocou filas de 20 quilómetros nos acessos à fronteira. Do lado francês, foi montado um palco para a atuação de artistas e discursos. Num corte de autoestrada a poucas centenas de metros desse local, a polícia começou a multar e a retirar os carros com reboques, mas acabou por negociar com os manifestantes a retirada dos veículos em troca de não haver sanções para os que já tinham sido rebocados. Os manifestantes preparam-se para pernoitar lo local e organizaram mesmo uma zona de refeições em plena autoestrada.

Sem dirigentes identificados para melhor poder contornar a repressão, este movimento surgiu na altura da sentença e aposta na tecnologia para chegar a mais gente.  Através da rede de mensagens Telegram, há mais de 400 mil pessoas que recebem os apelos e alertas de mobilização do Tsunami Democrático, que tem também a sua própria aplicação onde dá instruções em tempo real para as mobilizações que organiza. Ao contrário de outras aplicações, não basta fazer o download para ter acesso ao conteúdo, pois cada pessoa tem de ativar a sua aplicação através de um código de barras na posse de uma rede de ativistas, que só o mostram a quem seja da sua confiança.

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