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ProTEJO reúne fundos para pagar custas judiciais do ambientalista Arlindo Marques

Movimento Pelo Tejo angariou 22 mil euros para pagar as despesas da ação judicial interposta pela empresa de celulose Celtejo contra Arlindo Marques. "É uma grande vitória do Arlindo, do proTEJO, e de muita gente que se revê na causa ambientalista em defesa do rio Tejo”, sublinha o Movimento.
Arlindo Marques com a Rede to Tejo/Tajo. Foto da campanha do ProTEJO "Somos todos Arlindo".

A campanha de solidariedade “Somos todos Arlindo”, lançada na página da plataforma 'Causas' pelo Movimento Pelo Tejo (ProTEJO), com sede em Vila Nova da Barquinha, Santarém, visava arrecadar 21.885 euros até às 16h de dia 16 de março.

O valor arrecadado, que servirá para pagar as despesas relacionadas com a ação judicial interposta pela CELTEJO - Empresa de Celulose do Tejo, S.A., pertencente ao Grupo ALTRI, contra Arlindo Consolado Marques, ultrapassou a meta definida, ascendendo a 22 mil euros.

A empresa de celulose alega na ação contra o ambientalista que estão em causa “ofensas à sua credibilidade e bom nome em consequência das denúncias" que Arlindo Marques "tem feito e divulgado nas redes sociais sobre a poluição do rio Tejo”, e reclama o pagamento de uma indemnização de 250 mil euros.

"É uma grande vitória do Arlindo, do proTEJO, e de muita gente que se revê na causa ambientalista em defesa do rio Tejo, milhares de pessoas que assumiram esta luta como sua, contribuindo nesta campanha para a sua defesa", afirmou Paulo Constantino, porta-voz do proTEJO, em declarações à agência Lusa.

"Foram 632 a contribuir diretamente na plataforma, com montantes significativos, mas a esses há que juntar mais cerca de 2 mil pessoas que contribuíram através de almoços e espetáculos solidários, venda de 't-shirts', donativos ofertados em cafés e até contributos entregues em mão. Todo esse dinheiro resultante das várias iniciativas foi depositado na conta da campanha, tendo hoje sido alcançado o objetivo", assinalou.

De acordo com Paulo Constantino, “se o desfecho final do processo for favorável ao Arlindo Marques, o dinheiro angariado será investido na restauração fluvial do Tejo, repovoamento de espécies piscícolas, e, talvez, na aquisição de uma sonda para o Arlindo aferir da qualidade da água na sua condição de vigilante do Tejo".

"Este feito é um grande sinal da mobilização das pessoas, é um incentivo enorme para o proTEJO e uma motivação adicional para o Arlindo Marques e para todos os que acreditam e lutam por uma resolução dos problemas que afetam o rio Tejo", destacou o porta-voz do Movimento.

Moção em defesa do Tejo e de Arlindo Marques rejeitada por PSD e CDS

A 28 de fevereiro, o Bloco de Esquerda apresentou na Assembleia Municipal de Santarém uma moção que visava recomendar ao Governo tomar medidas para que a empresa Celtejo diminuísse a poluição ao rio Tejo. A moção incluía também um voto de solidariedade com o ambientalista Arlindo Consolado Marques.

Esta moção acabou por ser reprovada com os votos contra do PSD e CDS e a abstenção do PS.

Também na Assembleia da República foram rejeitados dois projetos de resolução do Bloco de Esquerda, a recomendar ao governo “a imediata redução da produção da empresa Celtejo para um nível que não exceda a sua atual capacidade de processamento dos efluentes”, um apresentado em dezembro de 2016 e o outro em novembro de 2017. Das duas vezes, a proposta foi chumbada por CDS, PSD, PS e PCP.

Perante o manto de espuma que cobriu o Tejo em janeiro, o Governo obrigou, entretanto, a Celtejo a reduzir os seus efluentes.

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