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Proposta da administração da Carris "é gozar com quem trabalha"

Na primeira reunião para negociar o Acordo de Empresa, a administração da Carris apresentou uma proposta que o sindicato classifica de "provocação".
Foto Paulete Matos.

Em comunicado, o sindicato STRUP, que integra a Fectrans/CGTP, acusa a administração de apresentar uma proposta no início da negociação do Acordo de Empresa que visa "gozar com quem trabalha".

"Estamos perante um processo negocial que começou mal e que só a união e a nossa ação poderá levar a que acabe bem", conclui o sindicato, depois de elencar os "cinco atos" do "guião desta provocação". Em primeiro lugar, a proposta de aumento salarial de 5,1%, em que "feitas as contas concluímos que com esta percentagem ou com o valor nominal de 52 euros, continuaríamos a perder poder de compra o que, por razões óbvias, é inaceitável!". Já no caso dos administradores, a mesma percentagem corresponderia a aumentos de 250 euros para o presidente e 225 euros para os restantes membros do Conselho de Administração, "sem contar com as despesas de representação e outras mordomias que ultrapassam em muito os 2 mil euros mensais". O sindicato continua a defender o aumento salarial de 10% com um valor mínimo de 100 euros.    

Em segundo lugar, esteve em cima da mesa a dívida da empresa aos trabalhadores no pagamento dos proporcionais. O sindicato acusa a empresa que querer fugir ao pagamento dos anos que antecederam a municipalização da empresa em 2017 e defendem que "é tempo da empresa acabar com os calotes e pagar a totalidade daquilo que deve aos trabalhadores". Mas a administração, apesar de ter apresentado lucros, quer pagar em três anos a dívida que devia regularizar este ano, acusa do STRUP.

A retirada das tolerâncias de ponto foi uma das ameaças da administração, caso os sindicatos não aceitem a redução de 150% para 50% com 1 dia de descanso. "Era só o que faltava, o Estado dar e a administração negar as tolerâncias de ponto. Se querem poupar, cortem nas despesas supérfluas e nas mordomias dos administradores e não nos direitos e rendimentos dos trabalhadores", responde o sindicato.

Em quarto lugar, a administração é criticada por "dar o dito por não dito" quanto ao seu compromisso para aplicar o novo sistema de folgas. Agora, diz que só em janeiro em 2024 o poderá fazer, alegando que apenas no final do ano terá o número de motoristas e guarda-freios suficiente. "A isto chama-se irresponsabilidade", acusa o sindicato, sublinhando que "os compromissos são para cumprir".

Por fim, o tema dos passes de transportes para os trabahadores "foi a única questão em que a empresa propôs uma solução em vez de uma redução", comprometendo-se a propor à AML que o passe seja atribuído aos trabalhadores da Carris, válido para as carreiras da Carris Metropolitana. Mas os trabalhadores continuam a exigir que seja alargado aos restantes operadores de transportes.

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