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Projeto piloto vai dar acesso à canábis medicinal a mais de 20 mil doentes britânicos

Este será o maior teste a nível europeu e pretende convencer os políticos britânicos que a canábis deve estar disponível a preços acessíveis para quem dela precisa.
canábis medicinal
Foto Rusty Blazenhoff/Flickr

O Projeto Twenty21 pretende estudar o efeito da canábis no tratamento e alívio dos sintomas de doentes com dor crónica, esclerose múltipla, epilepsia, stress pós-traumático, síndrome de Tourette, ansiedade ou historial de abuso de substâncias tóxicas.

A decisão de dar acesso à canábis a cerca de 20 mil doentes até 2021 conta com o apoio do Royal College of Psychiatrists e pretende criar o maior corpo de resultados que possa convencer os políticos a tornar a canábis acessível a que dela precisa.

“Os doentes ficam por tratar, significativamente endividados devido ao custo das receitas privadas, ou criminalizados quando são obrigados a virar-se para o mercado negro. Eles não merecem isto, e a situação das receitas precisa desesperadamente de mudar” afirmou ao Guardian o professor David Nutt, responsável pelo grupo de cientistas independentes Drug Science que está por detrás deste projeto.

A canábis medicinal foi legalizada no ano passado no Reino Unido, após o escândalo na sociedade a propósito das crianças com doenças raras, cujos pais eram obrigados a adquirir canábis ilegalmente dentro e fora do país, arriscando a prisão. Mas continua a haver grande resistência por parte da classe médica para prescrever medicamentos com canábis, alegando os médicos que não existem provas científicas irrefutáveis dos seus benefícios. O processo para conseguir receita através do sistema público de saúde é um calvário para os doentes, que na sua maioria não conseguem pagar os custos das receitas privadas. Para além da resistência dos médicos, também não há muitos produtos autorizados para receitar. Como a lei proíbe o autocultivo, muitos doentes são empurrados para a criminalidade e arriscam a compra de canábis no mercado negro.

É esta situação que o estudo a anunciar esta quinta-feira pretende alterar, com um universo de doentes em dimensões nunca vistas na Europa para testes deste género. “Há mais de oito milhões de pessoas com dor crónica incapacitante no Reino Unido e a canábis medicinal continua fora de alcance para elas. Os testes como o do Project Twenty21 podem dar-nos provas para que seja possível receitar de forma segura e eficaz estes medicamentos, que têm o potencial para aliviar a dor e outros benefícios que podem mudar a vida destes doentes”, referiu ao Guardian o presidente da British Pain Society, Arun Bashkar.

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