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“Programa do Livre não tem uma linha sobre tirar as medidas da troika do Código do Trabalho"

No debate televisivo entre Catarina Martins e Rui Tavares, discutiram-se a exclusividade dos profissionais no SNS, as mudanças necessárias nas leis laborais, a política europeia e a exigência que a esquerda tem de ter para negociar soluções capazes de abrir um novo ciclo político.
Catarina Martins e Rui Tavares no debate desta terça-feira na SICN

Esta terça-feira, em mais um debate televisivo, desta vez na SIC Notícias, Catarina Martins debateu com Rui Tavares, candidato do Livre, e começou por referir que “o Bloco de Esquerda tem-se empenhado muito para que haja soluções exigentes para o país e elas dependem da força da esquerda”. Catarina Martins afirmou que “precisamos muito de uma força grande à esquerda para um novo ciclo”, esse ciclo que precisa também de uma clarificação sobre qual é o papel da esquerda.

O processo político que deu origem a estas eleições também foi abordado no debate, com Rui Tavares a falar da intransigência do Bloco nas negociações e a defender que o Orçamento devia ter sido viabilizado para haver mais um mês de processo de debate na especialidade. Catarina manifestou “alguma surpresa quando ouço a Rui Tavares falar da intransigência do Bloco de Esquerda, parece quase o António Costa a falar e sabe bem que não é assim”. E deu o exemplo de 2015, quando o PS se apresentou a eleições com propostas como a facilitação dos despedimentos ou o congelamento das pensões e o Bloco negociou com António Costa após as eleições um compromisso que pôs de lado aquelas medidas.

Uma das divergências com o Livre, salientadas pela coordenadora bloquista, foi a questão da exclusividade dos profissionais de saúde no SNS e a falta de compromissos claros no programa eleitoral do Livre. "No momento em que Rui Tavares propuser a António Costa questionar e estudar a exclusividade, eu lhe garanto que António Costa diz logo que sim e irá criar um grupo de trabalho para passar quatro anos a equacionar e a estudar a exclusividade, mas o que realmente é preciso é que seja implementada”, frisou Catarina Martins.

Outro dos temas abordados foi a União Europeia (UE), em que Catarina Martins afirmou que “temos uma UE que paga a Erdogan para manter os imigrantes e refugiados do outro lado”, mas também deixou críticas ao Tratado Orçamental, onde Portugal não se colocou de fora, e que tira “a capacidade de investimento ao nosso país”. Na resposta, Rui Tavares dedicou alguns minutos a explicar as competências e os mecanismos de decisão da UE e dos estados-membro em ambos os tratados e em seguida Catarina lembrou que "quando a Comissão Europeia tentou sanções contra Portugal por decidir subir o salário mínimo, foi precisa força política para dizer que o nosso país pode decidir por si. E esta força é muito mais interessante que o discurso sobre formalismos".

Voltando às questões nacionais, Catarina Martins aproveitou para afirmar que “o programa do Livre não tem uma linha sobre a necessidade absoluta de tirar as medidas da troika que ainda estão no nosso Código do Trabalho e que impedem objetivamente os aumentos dos salários”.

A mesma crítica foi feita em relação à redução do período experimental, recusada pelo PS, e que o Livre também não inclui no seu programa. “Tenho alguma dificuldade em aceitar que a esquerda possa considerar normal que uma pessoa esteja à procura do primeiro emprego toda a sua vida se só tiver empregos precários”, afirmou a coordenadora do Bloco.

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