Está aqui

"Professores não podem continuar a ser deixados para trás", avisa a Fenprof

Faixa “Empobrecer a escola é arruinar o país” na Manifestação de docentes comvocada pela Fenprof, Lisboa 5 de outubro de 2021 – Foto de Rodrigo Antunes/Lusa
Faixa “Empobrecer a escola é arruinar o país” na Manifestação de docentes comvocada pela Fenprof, Lisboa 5 de outubro de 2021 – Foto de Rodrigo Antunes/Lusa

Centenas de professores concentraram-se esta terça-feira, dia do professor, no largo de Santos, em Lisboa, dirigindo-se posteriormente para o ministério da Educação.

Na convocação do protesto, a Fenprof assinalou que a manifestação decorre numa altura em que se vive um “quadro de grande ataque à dignidade profissional docente e de enorme desrespeito pelo direito à negociação coletiva”. Entre as principais reivindicações estão: a recomposição da carreira, o regime de aposentação e rejuvenescimento da profissão, horários e condições de trabalho, o combate à precariedade profissional e o regime de concursos.

Ao som de palavras de ordem como "quem não quer negociar não pode governar", os docentes exigiram a valorização das suas carreiras e seriedade nas negociações.

Em declarações à Sic Notícias, Mário Nogueira lembrou que o PS "esqueceu completamente" os compromissos "assumidos na campanha eleitoral e depois no programa governativo".

O secretário-geral da Fenprof garantiu que os professores fazem e continuarão a fazer "parte da recuperação do país".

No entanto, Mário Nogueira deixou um aviso: "Os trabalhadores não podem continuar a ser deixados para trás, não podem continuar a ser esquecidos e a ser vítimas do bloqueio" do governo.

Segundo a Lusa, os manifestantes transportaram cartazes com palavras de ordem, relacionadas com a aposentação, carreiras, concursos, entre outras matérias que integram as reivindicações dos docentes.

“Um grande plano de rejuvenescimento do corpo docente”

Em declarações à comunicação social, a coordenadora do Bloco de Esquerda, que esteve presente na manifestação dos professores, alertou que “não há futuro sem qualificação, não há futuro sem educação” e que “em Portugal, os professores têm sido muito mal tratados”.

Catarina Martins lembrou que os docentes estão há décadas com os salários congelados, sem progressões nas carreiras, ganham hoje menos do que ganhavam há 20 anos e que tantos professores com uma carreira, com muitas qualificações não levam hoje 1.000 euros limpos para casa.

“Não é por acaso que hoje temos cada vez menos gente a estudar para ser professor, quando sabemos que na próxima década cerca de 50% dos professores vão estar em idade de reforma”, salientou a coordenadora bloquista, considerando que este problema só se resolve de uma forma: dando condições de trabalho aos professores e à escola pública.

“Quando se fala de futuro, quando se fala de transição digital, quando se fala da recuperação da economia, entendamo-nos, a escola é central”, destacou Catarina Martins, sublinhando que é preciso tratamento digno e é importante que as carreiras dos professores sejam valorizadas,

“É preciso um grande plano de rejuvenescimento do corpo docente”, afirmou ainda a coordenadora do Bloco de Esquerda, alertando que Portugal é um dos países com um corpo docente mais envelhecido e em que a idade da reforma tem vindo a aumentar.

Catarina Martins disse ainda que é preciso permitir o acesso à reforma sem cortes, ao mesmo tempo com um incentivo para que os mais novos possam entrar na carreira e possam ficar vinculados para dedicar a sua vida à escola pública.

Termos relacionados Sociedade
(...)