Está aqui

Produtores exigem demissão da administração da Lactogal

Lactogal é acusada de falta de estratégia para enfrentar desafios do marcado. Em causa está a baixa de um cêntimo no preço pago por litro.
O protesto foi despoletado pela imposição da Lactogal para reduzir em mais um cêntimo o preço pago ao produtor por cada litro de leite.
O protesto foi despoletado pela imposição da Lactogal para reduzir em mais um cêntimo o preço pago ao produtor por cada litro de leite.

Esta quinta-feira, centenas de produtores de leite do norte e do centro do país juntaram-se num protesto no Porto, em frente à sede da Lactogal, exigindo a demissão da administração da empresa. Assim, manifestaram o seu desagrado perante o trabalho levado a cabo pela equipa liderada por Casimiro de Almeida, considerando-o ausente de estratégia num mercado cada vez mais exigente.

O protesto foi despoletado pela imposição da Lactogal para reduzir em mais um cêntimo o preço pago ao produtor por cada litro de leite. A decisão foi tomada numa altura em que o setor atravessa uma grave crise causada principalmente pelo fim do regime das quotas leiteiras na UE desde 2015. O sistema de quotas era uma forma de regulação que garantia a estabilidade dos preços pagos à produção, assegurando o fornecimento dos mercados europeus.

Os manifestantes contestam ainda que um setor cooperativo que gera lucros de 44 milhões em 2017 e tem administradores com salários de 60 mil euros imponha cortes na remuneração de quem lhe fornece a matéria-prima. Para mais, consideram que a empresa não consigue fazer valer o estatuto de maior produtor da Península Ibérica e de desenvolver uma estratégia que suplante as dificuldades de mercado.

O Bloco de Esquerda foi o único partido presente na manifestação. Pedro Soares, deputado do partido, solidarizou-se com a luta dos produtores e tomou a palavra a pedido da organização, afirmando que há responsabilidades políticas a apurar nesta enorme crise da produção de leite em Portugal, desde logo pelo fim das quotas leiteiras. Essas responsabilidades, considera, devem ser assumidas pelo governo e pelos partidos que foram favoráveis à abolição das quotas, onde se incluem o PS, o PSD e o CDS.

O deputado do Bloco considera injustificável que a indústria imponha a baixa de preço pago aos produtores e ao mesmo tempo promova o abandono da atividade. Contas feitas, é a redução do preço pago ao produtor que vai pagar os "resgastes" dos que abandonam a atividade. Para mais, considera que o governo tem meios para fazer sentar à mesa produtores, indústria e distribuição e negociar soluções que não passem por serem "os de baixo" a pagar e a empobrecer. Membro da Comissão de Agricultura e Mar, Pedro Soares comprometeu-se a chamar o Ministro Capoulas Santos ao Parlamento em setembro para o questionar sobre a situação.

A Lactogal é uma empresa de base cooperativa constituída pela Agros, a Lacticoop e a Proleite/Mimosa. A estratégia de união das três cooperativas foi adotada nos anos 90 para combater a forte concorrência estrangeira que começava a atingir Portugal, na senda de liberalização dos setores primários na UE. A empresa tem como presidente do Conselho de Administração o comendador José Casimiro, histórico deputado do PSD (1987-1995), que aufere um salário na ordem dos 600 mil euros por ano. Os produtores afirmam, desiludidos, que estes salários milionários davam amplamente para compensar o cêntimo de perda que agora a Lactogal lhes impõe, assim como para aumentar em 4 cêntimos o valor pago à produção.

Termos relacionados Sociedade
(...)