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Privados querem sair da ADSE

A intenção da José de Mello Saúde e da Luz Saúde de suspender os acordos com a ADSE foi notícia esta quarta-feira. Esta entidade respondeu com a possibilidade de acordos com outras empresas. Moisés Ferreira, deputado do Bloco, diz que esta notícia mostra que não se pode ficar “refém dos privados”.
Foto de Paulete Matos

Foi o semanário Expresso avançar pela primeira vez com a notícia: dois grupos empresariais da área da saúde pretendem suspender as convenções com a ADSE. Os grupos José de Mello Saúde e Luz Saúde ameaçam fazê-lo a curto prazo, apontando o mês de abril como prazo possível. O mesmo se irá passar com o sub-sistema do Instituto de Acção Social das Forças Armadas (IASFA). Estes são dois dos grupos mais utilizados pelos utentes deste sub-sistema de saúde. Estima-se que 60% dos valores cobrados à ADSE o sejam através dos grupos Luz Saúde, José de Mello, Lusíadas, Trofa e Hospitais Privados do Algarve, totalizando 1,2 milhões de utentes.

Em comunicado, a ADSE não confirmou que esta intenção se tenha cumprido, até porque “existem prazos contratuais que constam das convenções que têm de ser cumpridos”. Mas acrescenta que, se tal acontecer, “acautelará todas as situações de beneficiários que se encontram em tratamento, ou com atos médico ou cirúrgicos já agendados nestes prestadores” e, remata, “irá fazer novas convenções com outros prestadores se se vier a concretizar esta ameaça”.

O braço de ferro entre privados e ADSE arrasta-se há algum tempo. Quando a instituição pública propôs a revisão das tabelas de preços, os privados criticaram. No final de 2018, a ADSE tinha exigido no final de 2018 a devolução de 38,8 milhões de euros de despesas que terão sido faturadas a mais pelos privados. Os privados contestaram a dívida e não deixaram de manifestar o seu descontentamento.

Em reação a toda esta polémica, Moisés Ferreira, deputado do Bloco responsável pela área da saúde fala em “chantagem” dos privados. E pergunta: “percebem agora porque não podemos ter a Saúde refém dos privados?”

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