O primeiro-ministro sérvio, Milos Vucevic, anunciou esta terça-feira a sua demissão na sequência da onda de protestos que tem acontecido quase diariamente em cerca de cem cidades desde que a cobertura de uma estação ferroviária colapsou em Novi Sad a 1 de novembro, matando 15 pessoas.
Os manifestantes, com os estudantes a liderar o movimento, não pararam as mobilizações acusando o governo de corrupção. Continuaram a parar, simbolicamente, durante 15 minutos em homenagem às vítimas.
O principal responsabilizado é o presidente Aleksandar Vucic mas foi Vucevic, líder do Partido Progressista da Sérvia, de centro-direita, quem assumiu as responsabilidades “para reduzir as tensões”. Ao mesmo tempo anunciou que o atual presidente de Câmara de Novi Sad também se iria demitir.
Vucevic estava no cargo há menos de um ano. Antes disso, tinha sido presidente da Câmara de Novi Sad entre 2012 e 2022, com o seu mandato a coincidir com as obras de remodelação no centro da polémica.
O governo espera assim travar o movimento. O primeiro-ministro demissionário garante que “com isto cumprimos todas as exigências dos manifestantes mais radicais”.
Ainda antes da demissão, já o presidente Vucic dizia o mesmo. Mas os manifestantes continuaram a insistir. Pretendem a publicação de todos os documentos que dizem respeito à reabilitação da estação de Novi Sad, sob suspeitas de corrupção, a acusação de todas as pessoas envolvidas em ataques a manifestantes, o fim das acusações aos estudantes presos ao longo deste tempo e um aumento de 20% do orçamento no ensino superior.
Depois de terem voltado a notar que nem todos os documentos tinham sido publicados, este domingo o gabinete do procurador da República publicou mais uma série de documentos. No que concerne às investigações, há 13 acusados incluindo o ex-ministro da construção.
As manifestações tinham-se intensificado desde sexta-feira com dezenas de milhares de pessoas nas ruas e com muitos a responderem ao apelo estudantil a uma greve geral. E segunda-feira houve o bloqueio da principal junção de auto-estradas da capital Belgrado, a Autokomanda.
Para além de muitos estudantes e professores, entre outras classes profissionais, foram determinantes para a manutenção do bloqueio os agricultores e os seus tratores e muitos motociclistas que ficaram do lado dos protestos. Noutras tentativas de bloqueio de estradas tinham existido atropelamentos, resultando em dois feridos graves. As maiores universidades do país estão bloqueadas há já quase dois meses.