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Primeiro-ministro da Áustria sob investigação de corrupção

Sebastian Kurz está sob investigação por corrupção através da utilização de fundos públicos para assegurar cobertura positiva dos tablóides entre 2016 e 2018, durante as eleições que o elegeram para primeiro-ministro.
Os procuradores não nomearam diretamente o grupo de comunicação social, mas os media austríacos apontam quase unanimemente para os talbóide Oesterreich, que nega as acusações.
Os procuradores não nomearam diretamente o grupo de comunicação social, mas os media austríacos apontam quase unanimemente para os tablóide Oesterreich, que nega as acusações. Imagem de Christian Bruna via EPA/Lusa arquivo.

O líder do Partido Popular Austríaco (Österreichische Volkspartei - ÖVP), partido de direita que lidera o Governo em diferentes coligações desde 2017, está sob investigação dos magistrados austríacos por alegada corrupção através da utilização de fundos públicos para influenciar a cobertura dos tablóides austríacos.

Sebastian Kurz, primeiro-ministro desde 2017, primeiro em coligação com o FPÖ e desde 2019 com Os Verdes, fará parte de um grupo de nove indivíduos e três organizações sob investigação de crimes praticados entre 2016 e 2018.

O ministro das Finanças, Gernot Bluemel, confirmou que foram realizadas buscas no seu ministério, e os media austríacos confirmaram buscas também na chancelaria, sede do primeiro-ministro.

O anúncio veio dos próprios procuradores austríacos e comunicado esta quarta-feira. Segundo os procuradores, “recursos do Ministério das Finanças foram utilizados para parcialmente manipular sondagens de opinião que serviram exclusivamente um interesse partidário”.

O período dos crimes está relacionado com a vitória do ÖVP em 2017. Os procuradores alegam que um grupo de comunicação social terá “recebido pagamentos” em troca da publicação destas sondagens manipuladas.

Os procuradores não nomearam diretamente o grupo de comunicação social, mas os media austríacos apontam quase unanimemente para o tablóide Oesterreich, que nega as acusações.

Dirigentes do ÖVP consideraram as alegações um exercício “mediático”, com “acusações construídas sobre acontecimentos de há cinco anos”. Um deputado do partido, Andreas Hanger, acusou a procuradoria de ser dominada por “células de esquerda”.

A investigação irá colocar forte pressão política na coligação entre o ÖVP e Os Verdes, juntos no governo desde 2019 após o colapso da anterior coligação de Sebastian Kurz com o FPÖ, devido à publicação de gravações do então líder deste partido a oferecer contratos públicos em troca de apoio ao seu partido durante a campanha, o que motivou igualmente uma investigação sobre corrupção.

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