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Primeiro dia de greve nas centrais técnicas da RTP com adesão de 100%

Os trabalhadores das centrais técnicas da RTP de Lisboa e do Porto cumprem hoje o primeiro de quatro dias de greve contra a “paralisia absurda” das carreiras, a falta de recursos humanos e a “decadência” de equipamentos.
Na central do Porto, o Conselho de Administração terá colocado um segurança à porta do serviço para impedir o piquete de ver a possível substituição de trabalhadores.
Na central do Porto, o Conselho de Administração terá colocado um segurança à porta do serviço para impedir o piquete de ver a possível substituição de trabalhadores. Foto de Paulete Matos.

São quase duas décadas de carreiras e contratações congeladas que levaram os trabalhadores das centrais técnicas da empresa pública a marcar quatro dias de greve, com início às 00:00 horas deste sábado. Das muitas dificuldades que a RTP sofre, o sindicato destaca a falta de atenção dada aos recursos técnicos da empresa e de quem neles trabalha.

Em causa estão a Central Técnica de Lisboa e a Central de Comutações do Centro de Produção Norte (Central Técnica do Porto). Segundo a informação recolhida pelo Esquerda.net, a adesão nas duas centrais será de 100% neste primeiro dia, com impacto em vários serviços incluindo o sinal da Linguagem Gestual. Na central do Porto, o Conselho de Administração terá colocado um segurança à porta do serviço para impedir o piquete de ver a possível substituição de trabalhadores.

Os trabalhadores destes dois serviços têm vindo a alertar a empresa para os problemas técnicos que a decadência dos equipamentos da empresa coloca, para a falta de recursos humanos causada, pela ausência de substituição de trabalhadores com aposentação próxima, e para "paralisia absurda" das suas carreiras profissionais, descreve a Lusa.

Em Lisboa, os trabalhadores estão espalhados por cinco carreiras distintas no mesmo serviço com diferenças salariais entre trabalhadores que ascendem a 600 euros em carreiras sem qualquer progressão, por muitos mais anos que ainda venham a trabalhar, refere o SINTTAV.

No Porto, os trabalhadores desta área, com décadas de antiguidade na empresa, acumulam há vários anos várias tarefas estando todos no nível 1, escalão C, da carreira de Técnico de Gestão de Sistemas, o que o sindicato considera ser "um completo absurdo".

Desde setembro de 2016 que os trabalhadores fazem exposições coletivas da questão à direção de recursos humanos da empresa que, invariavelmente, responde que “ainda não reúnem as condições necessárias para a alteração da situação profissional”.

Para a Comissão de Trablhadores, a RTP "atravessa uma grande crise interna de gestão de recursos humanos. As carreiras dos trabalhadores do quadro ativo estão paralisadas há vários anos, existe o recurso exagerado a estratégias de contratação externa de legalidade duvidosa a que acresce uma total ausência de procedimentos de avaliação de desempenho". 

“A CT está solidária com os colegas das centrais técnicas de televisão. São poucos, mas fazem muito. E, sem o muito que fazem, a RTP corre o risco de mandar para o ar uma mira técnica durante quatro dias”, alertam.

Por isso, apelam ao “bom senso” da administração: “não queira concluir o seu mandato com um colapso na prestação do serviço público da RTP. Não queira entrar na História por um motivo tão mau e tão inédito. Tem três dias para evitar que isso aconteça”.

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