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Primefood despede 200 precários enquanto recebe apoios públicos

Primefood, empresa do setor da restauração que representa várias marcas nacionais e internacionais, segundo denúncias que recebemos, despediu cerca de 200 trabalhadores precários ao longo dos últimos meses. Notícia de despedimentos.pt
Primefood despediu cerca de 200 trabalhadores precários ao longo dos últimos meses - Foto de despedimentos.pt
Primefood despediu cerca de 200 trabalhadores precários ao longo dos últimos meses - Foto de despedimentos.pt

A administração da empresa não está a renovar os contratos a prazo destes e destas profissionais em diferentes estabelecimentos, apesar de ter recorrido aos apoios públicos desde o início da crise sanitária – vários meses em lay off e, mais recentemente, a receber o apoio à retoma.

Os despedimentos estão a acontecer desde abril e continuam, tanto nos vários estabelecimentos geridos pela empresa no aeroporto de Lisboa como nas lojas de rua. Ou seja, a empresa está a descartar os trabalhadores precários ao mesmo tempo que recebe apoios públicos para a manutenção do emprego. Recordamos que, logo na primeira fase da crise sanitária, a administração da Primefood forçou o trabalho sem equipamento de proteção e efetuou os primeiros despedimentos nos seus estabelecimentos no aeroporto de Lisboa, como aqui divulgámos.

Esta drástica redução de trabalhadores está a originar situações de abuso e sobrecarga nas várias lojas geridas pelo grupo. As denúncias relatam, por exemplo, que há casos em que ocorreu uma redução de 8 trabalhadores para apenas um funcionário na cozinha. Ou seja, os despedimentos levaram a uma sobrecarga para os funcionários que não foram despedidos, que passaram a acumular várias funções: trabalho na copa, limpeza, preparação das montras, despacho de pedidos, atendimento ao balcão, etc. A acumulação de funções está a levar ao desgaste dos trabalhadores e à negação do seu direito às pausas previstas durante a jornada de trabalho. As denúncias relatam ainda que, no aeroporto de Lisboa, os funcionários deixaram de ter um refeitório à sua disposição, comendo frequentemente de forma apressada durante o horário de trabalho.

A administração da Primefood impõe ainda um esquema penalizador de rotação de funcionários em várias lojas, para cumprir a redução do período de trabalho que lhe permite receber o apoio público. Assim, obriga os funcionários a trabalhar 7 dias seguidos num mês, de forma a cumprir os 40% de tempo de trabalho previstos no apoio que a empresa está a receber. Os relatos descrevem a pressão que está a ser exercida sobre estes trabalhadores, que recebem apenas o salário mínimo, complementado com um bónus caso cumpram vários requisitos estabelecidos pela empresa, do qual são excluídos quando reclamam sobre as condições de trabalho.

A Primefood, fundada em 1998 pelo empresário Carlos Móia, representa várias marcas nacionais e internacionais no setor da restauração. Além de deter marcas próprias como a Fábrica da Nata, gere várias lojas no país, nomeadamente nos aeroportos de Faro e de Lisboa, onde detém a representação de marcas como a Nespresso, a Confeitaria Nacional, a Pastelaria Versailles ou a Heineken.

Artigo de despedimentos.pt

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