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Previsões da Comissão Europeia apontam para recessão histórica

As previsões económicas de Primavera confirmam o que já fora anunciado por outras instituições: a economia europeia caminha para uma recessão profunda cujas proporções podem ser históricas.
Comissão Europeia, Bruxelas. Foto: European Parliament/Flickr
Comissão Europeia, Bruxelas. Foto: European Parliament/Flickr

As previsões económicas de Primavera apresentadas esta terça-feira pela Comissão Europeia confirmam o que já fora anunciado por outras instituições: a economia europeia caminha para uma recessão profunda cujas proporções podem ser históricas.

Na zona euro, a contração prevista é de 7,4%, um valor recorde que revela a dimensão da crise que se avizinha como consequência da pandemia do covid-19. A Comissão Europeia não tem dúvidas de que a crise terá “severas consequências económicas e sociais”, sendo também certo que o choque não será sentido de igual forma por todos os Estados-Membros.

Nos países periféricos (Itália, Espanha, Grécia), a previsão de quebra do PIB é próxima dos 10%, ao passo que na Alemanha se prevê uma queda significativamente inferior (cerca de 6,5%). Há vários fatores que ajudam a explicar: as economias periféricas estavam mais dependentes de setores como o turismo (particularmente afetados pela pandemia), têm maior proporção de pequenas e médias empresas no tecido empresarial (que, pela sua natureza, são mais vulneráveis ao choque) e maior peso de contratos atípicos ou precários na população empregada.

Este é também o caso de Portugal, embora a previsão anunciada (quebra de 6,8% do PIB em 2020 e recuperação em 2021) pareça otimista face ao cenário descrito. A Comissão Europeia prevê ainda que o défice orçamental chegue aos 6,5% neste ano, sendo que a dívida pública deverá disparar para os 131,6%. Ainda assim, as previsões são mais otimistas que as do Fundo Monetário Internacional (FMI), que em Abril previa um défice de 7,1% e uma dívida pública de 135% em 2020.

Embora a dimensão histórica da crise deixe clara a urgência de uma resposta europeia de grande escala, a Comissão Europeia decidiu adiar a apresentação da proposta para o próximo orçamento comunitário, que estava prevista para hoje e deverá incluir um Fundo de Recuperação desenhado para relançar a economia no período pós-pandemia.

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