Está aqui

Preso desde abril, Lula sobe nas sondagens

Candidato do PT está com 37% das intenções de voto e seria imbatível numa segunda volta. Mas será que vai conseguir transferir esse manancial de votos para o seu vice, Fernando Haddad, caso a Justiça eleitoral impugne a sua candidatura? Por Luis Leiria.
Lula está com 37% das intenções de voto e seria imbatível numa segunda volta
Lula está com 37% das intenções de voto e seria imbatível numa segunda volta

Duas sondagens divulgadas na última segunda-feira sobre as eleições presidenciais no Brasil praticamente coincidem nos resultados. Em ambas o ex-presidente Lula da Silva lidera folgadamente, com 37,3% dos votos na sondagem da empresa CNT/MDA, e 37% na do Ibope. Em segundo lugar aparece o candidato neofascista Jair Bolsonaro, com 18,3% e 18%, respetivamente.

O resultado de Lula impressiona, se recordarmos que o candidato do PT está preso desde o início de abril e deixou por isso de aparecer nos meios de comunicação, sendo negativas a maior parte das notícias que o mencionam. No entanto, estes 37% representam um aumento das intenções de voto do ex-presidente, que tinha 33% em junho na sondagem do Ibope.

Sem Lula, Bolsonaro mantém dianteira

Sem Lula, as sondagens registam o primeiro lugar de Bolsonaro, com 20%, seguido de Marina Silva com 12%. Acontece que é altamente improvável que Lula possa ser candidato, já que a Justiça Eleitoral deve impugnar a sua possibilidade de ir às urnas. Nesse caso, Fernando Haddad, o vice na lista do PT, assumiria a candidatura. A grande dúvida é se a transferência de votos de Lula para Haddad pode ou não funcionar. A CNT/MDA fez essa pergunta e concluiu que 17,5% dos eleitores de Lula, para já, votariam em Haddad se Lula não se candidatar o que, dada a dispersão de candidatos, poderia desde logo garantir-lhe uma vaga na segunda volta das eleições. Por enquanto, a estratégia de Lula é esticar a corda até o fim para depois promover a transferência para Haddad. Parece arriscado, mas o certo é que até agora funcionou.

Alckmin vegeta

O outro resultado significativo é o de Geraldo Alckmin, o candidato do PSDB, que reúne os maiores apoios em termos de partidos e de representantes da elite que manda no Brasil. É que Alckmin não consegue subir senão marginalmente, aparecendo com 4,9% e 5% nas duas sondagens.

A possibilidade de Haddad ir à segunda volta e de Alckmin não passar da cepa torta tiveram repercussões negativas na bolsa de valores e até no valor do real, que fechou nesta segunda-feira com a cotação recorde de 3,96 reais para um dólar.

As sondagens continuam a dar apenas 1% a Guilherme Boulos do PSOL, uma candidatura que tende a crescer com o bom desempenho do líder dos Sem Teto nos debates de TV e com a força da campanha, que reuniu 20 mil pessoas no seu primeiro comício em S. Paulo.

Artigo de Luís Leiria para esquerda.net

Sobre o/a autor(a)

Jornalista do Esquerda.net
Termos relacionados Internacional
(...)