Margarida Blasco, inspetora-Geral da Administração Interna, deu hoje uma entrevista ao jornal Público na qual admite estar preocupada com a presença de elementos de extrema direita na polícia.
A inspetora-Geral afirma não ter qualquer indicação da existência de grupos organizados infiltrados nas forças policiais. Porém, assume ter recebido "queixas que são analisadas e investigadas”, denunciando uma das dificuldades encontradas nessa mesma análise: a existência de apenas 14 inspetores para 50 mil polícias.
Sobre casos de racismo entre as forças policiais, Margarida Blasco afirmou que o IGAI tem tomado medidas para evitar casos destes e de discriminação entre as forças de segurança. "Podemos compreender determinados fenómenos mas não pactuamos com eles. E queremos ir a fundo".
Ainda sobre a presença de elementos de extrema direita na polícia, Manuel Morais, membro do Corpo de Intervenção e vice-presidente da ASPP, tinha denunciado em entrevista ao Diário de Notícias a existência de polícias com tatuagens neonazis, sem que as organizações fizessem algo a este respeito.
Também Luís Neves, diretor da unidade de Contraterrorismo da Polícia Judiciária, tinha revelado vários casos sob investigação, como o recente ataque entre os grupos “Los Bandidos” (que envolveu Mário Machado, ex-líder dos skinheads em Portugal) e os Hell Angels, que teve lugar num restaurante em Loures.
Já no passado mês de março o Relatório Anual de Segurança Interna tinha alertado o possível crescimento da extrema-direita em Portugal. O documento destacava o aumento dos contactos com movimentos de extrema-direita internacionais, reforço da propaganda online e a organização de conferências e protestos simbólicos.