A confiança dos portugueses nunca foi tão alta, indica o "Estudo Global de Confiança dos Consumidores" promovido pela consultora Nielsen, num inquérito a 30 mil pessoas de 63 países. No segundo trimestre deste ano, a confiança dos portugueses no futuro da economia disparou 17 pontos, atingindo 82, numa escala de 0 a 100. Mais de metade dos inquiridos considerou que Portugal já não está em recessão, um número bem superior ao da média europeia.
Catarina Martins vê neste resultado a confirmação da confiança da população “numa solução política que tem permitido a recuperação dos rendimentos do trabalho, dos salários e pensões. É um caminho que deve continuar”, defendeu.
Quanto à principal preocupação dos inquiridos em Portugal, o resultado contrasta com o verificado nos restantes países europeus. Enquanto estes apontam o terrorismo e questões de saúde como estando no topo das preocupações, em Portugal é o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional que aparece a liderar a lista de preocupações.
Para Catarina Martins, este resultado “é um forte sinal de que o Bloco de Esquerda tem razão quando diz que é essencial alterar a legislação laboral e voltar a recuperar direitos básicos que permitam às pessoas ter um trabalho com horários mais regulados, com salário mais valorizado, que combata a precariedade e possa permitir essa conciliação entre a vida profissional e familiar”.
As declarações da coordenadora do Bloco foram feitas esta segunda-feira, durante uma visita ao mercado do Fundão, concelho onde o Bloco concorre pela primeira vez, com uma lista à Assembleia Municipal. “É um passo muito importante para o Bloco e eu tenho feito questão em estar em tantas localidades do interior onde o Bloco se apresenta pela primeira vez em autárquicas”, afirmou Catarina Martins.
Para a coordenadora bloquista, “a capacidade de crescimento do Bloco no interior é uma condição de uma nova geração de políticas, também para a floresta e o ambiente, que possam trazer mais segurança ao país e que possam combater o abandono a que o interior tem estado sujeito”.
Nas negociações para o OE’2018, “a direita está fora de jogo”
Questionada pelos jornalistas sobre as acusações de “eleitoralismo” feitas por Pedro Passos Coelho às propostas em negociação para o próximo Orçamento do Estado, Catarina Martins não deixou o ex-primeiro-ministro sem resposta. “O PSD pelos vistos acha mal as propostas que estão a ser negociadas, as grandes opções dos partidos que são conhecidas, mas não tem nenhuma proposta para o país. A direita está fora de jogo e as negociações do Orçamento fazem-se à esquerda”, afirmou.
Sobre a proposta da líder do CDS para baixar o IRC para as empresas, Catarina lembrou que “o IRC baixou durante o governo PSD/CDS ao mesmo tempo que o IRS subiu”. E acrescentou que o CDS quer continuar o mesmo caminho: “diminuir os impostos sobre os lucros das grandes empresas, mantendo um IRS tão alto sobre quem vive do seu trabalho. É isso também que distingue a direita da esquerda”, concluiu.
O polémico processo de agregação de freguesias foi outro dos temas abordados durante esta visita, com a coordenadora do Bloco a reafirmar a posição que o partido tem mantido desde o início. “Para desfazer a proposta de Miguel Relvas, é preciso ouvir as populações locais. É essa a proposta que o Bloco tem apresentado na Assembleia da República. Aguardamos que os outros partidos possam acompanhar-nos na nossa proposta ou pelo menos terem propostas tão claras como a nossa”, afirmou Catarina Martins.