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Preços das casas com maior subida desde que há registos

INE revela que, no segundo trimestre de 2022, os preços das casas em Portugal subiram 13,2% face ao segundo trimestre do ano passado. É o maior aumento desde, pelo menos, 2009, data do início da série estatística.

Os dados foram divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) esta quinta-feira e revelam que a escalada de preços abrange os alojamentos novos e os já existentes, com subidas de 8,4% e 14,7%, respetivamente.

O número de transações e o seu valor global também bateram recordes. No segundo trimestre de 2022, foram vendidas 43.607 casas em Portugal, o que representa uma subida de 4,5% em comparação com o período homólogo. No que respeita aos montantes envolvidos, registou-se um volume total de 8.287 milhões de euros, mais 19,5% face ao segundo trimestre de 2021.

Tendo em conta os dois primeiros trimestres deste ano, venderam-se 87.151 casas em Portugal, o que implica um aumento de 14% face a igual período do ano passado. Em causa estão negócios no valor total de 16.369 milhões de euros, mais 30% em relação ao ano passado. No que concerne ao preço médio das casas, o mesmo já se aproxima dos 188 mil euros, uma subida de 14% em relação à média de 164 mil euros registada no ano passado.

A escalada de preços foi mais acentuada na Região Autónoma dos Açores, Região Autónoma da Madeira e no Algarve, onde o preço médio das casas aumentou para 136 mil euros (+20%), 203 mil euros (+22%) e 279 mil euros (+20,5%). O maior aumento do montante total transacionado registado deu-se no Algarve, com uma subida de mais de 60%.

Continua a ser na Área Metropolitana de Lisboa que se verifica o maior número de transações e com um maior volume de negócio em causa. Ao todo, foram vendidas 26.800 casas durante o primeiro semestre, o equivalente a um aumento de 12%. As vendas ascenderam a 6.875 milhões de euros, mais 27% do que em 2021. O preço médio das casas em Lisboa subiu mais de 13%, para 256 mil euros.

O peso cada vez maior de compradores com domicílio fiscal no estrangeiro tem contribuído para o agravamento do preço das casas. Estes foram responsáveis por 5.339 transações, ou seja, mais de 6% do total, quando, no ano passado, a percentagem não ultrapassava os 4%. E o montante envolvido aumentou para 1.828 milhões de euros, o equivalente a mais de 11% do montante total transacionado. No ano passado, a percentagem era de 7,8% do montante total. Já o preço médio pago por compradores estrangeiros ascendeu a 342 mil euros, um aumento de 11% comparativamente com 2021. Já os compradores nacionais pagaram um preço médio de cerca de 177,7 mil euros, praticamente metade.

Novos créditos com prestações mais altas dos últimos 13 anos

Os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística na terça-feira já tinham revelado que o capital em dívida no âmbito dos créditos à habitação, que ronda o valor médio de 60.750 euros, é o mais elevado desde que há dados.

E que as prestações dos créditos celebrados neste verão, cujo valor médio é de 445 euros, o mais alto de que há registo, são dois terços mais caras do que a prestação média mensal dos empréstimos existentes em Portugal, que, em agosto, se fixou nos 268 euros, o valor mais elevado desde 2012.

Em agosto, a prestação média total dos créditos à habitação pedidos nos 12 meses anteriores era de 388 euros, mais 10 euros do que a média dos 12 meses terminados em julho. É preciso recuar até ao início de 2009 para encontrar valores mais altos dos que os agora registados.

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