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“Precisamos de ar fresco e esperança para Salvaterra de Magos”

Luís Gomes, cabeça de lista bloquista à autarquia assumiu a herança da governação bloquista que “tirou do marasmo” um concelho em que “faltava quase tudo” e apontou para o futuro defendendo habitação pública, criação de emprego, participação, promoção de espaços ribeirinhos, turismo com base ecológica e transportes públicos.
Luís Gomes, candidato do Bloco à Câmara de Salvaterra de Magos. Foto de ANTÓNIO COTRIM/LUSA.
Luís Gomes, candidato do Bloco à Câmara de Salvaterra de Magos. Foto de ANTÓNIO COTRIM/LUSA.

Na sessão de apresentação da candidatura aos órgãos autárquicos de Salvaterra de Magos, Luís Gomes, atual vereador e cabeça de lista à Câmara pelo Bloco de Esquerda lembrou as vítimas dos incêndios de Pedrogão Grande há quatro anos. E trouxe a este respeito à baila, “o abandono da floresta aos grandes interesses económicos das celuloses, a ausência de um programa para apoio a uma gestão agregada do minifúndio florestal, a incapacidade para enfrentar os que preferem lucros a curto prazo em vez de medidas de adaptação e minimização de efeitos das alterações climáticas”. Para ele, esta realidade “marca o que tem sido a política para o ambiente dos territórios rurais do país.”

Outra preocupação apresentada foi a descentralização e a “debilidade fundamental” que é “a falta de possibilidade de participação dos cidadãos”. O autarca criticou o procedimento do governo a este propósito: “dizer que é descentralização colocar os líderes dos partidos do bloco central a negociar os presidentes das CCDR sobre a capa de que serão as autarquias a elegê-los é lamentável e inqualificável”. Do ponto de vista do vereador bloquista “descentralizar é dar poder às populações” e por isso é necessária a regionalização.

Depois disso, assumiu a herança da governação do Bloco de Esquerda. Segundo Luís Gomes, esta “mudou a qualidade de vida no concelho” e “apesar da carência de meios foi possível, com muito esforço, tirar o município e as freguesias do marasmo em que se encontravam”. Isto num concelho em que “faltava quase tudo: do saneamento às estradas, às escolas, às bibliotecas”.

Situação que contrasta com a gestão atual de um executivo que “podia e devia ter feito mais e muito melhor” e que resultou num “concelho pouco atrativo”, na “diminuição dos rendimentos da população”, no “despovoamento com saída dos mais jovens e qualificados”, em “políticas ambientais erradas”, uma “catástrofe” que faz com que “quanto mais for atrasada a mudança, mais difícil vai ser recuperar o tempo perdido”.

O autarca denunciou que “o reforço de 2,5 milhões de euros que vieram do Orçamento de Estado para responder à situação pandémica foi direitinho para obras eleitoralistas”. Este dinheiro corresponde a “quase 20% do orçamento municipal para 2021”, uma verba concentrada “em obras nos últimos cinco meses com os olhos postos nas eleições e não nos problemas concretos das pessoas”. “É inaceitável trocar as pessoas por obras eleitoralistas”, sublinhou.

A candidatura bloquista em Salvaterra de Magos apresenta como prioridades a habitação pública, a requalificação dos centros históricos, a criação de uma rede de transportes públicos urbanos, a promoção dos espaços ribeirinhos, de uma vida saudável e do turismo com base ecológica, de programas para a requalificação económica e para superar o fosso digital e de uma dinâmica que atraia novas atividades e combata o desemprego. “Precisamos de mudança, ar fresco, novas ideias e esperança”, sintetizou o candidato.

Salvaterra não precisa de “betão e alcatrão eleitoral”

Antes dele falou Nuno Monteiro, cabeça de lista à Assembleia Municipal. Face à “insatisfação de muitos do munícipes com a falta de rumo do concelho”, apresentou o Bloco de Esquerda como a alternativa porque foi uma “oposição coerente, incisiva e construtiva” durante todo o mandato.

O deputado municipal criticou o “formato de bolha” em que funciona esta Assembleia Municipal, uma vez que “o que lá se passa não tem ressonância na vida do concelho”. E apresentou propostas como a transmissão online das assembleias e o orçamento participativo.

Para ele, “Salvaterra não precisa de “betão e alcatrão eleitoral, obras e asfaltamento sem qualquer sentido de desenvolvimento do concelho em que o único critério é a quantidade de votos que se pensa que se pode ganhar com isso”.

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