"É a nova lei da Costa Azul: o luxo pode tudo", acusa o movimento de cidadãos Dunas Livres, que defende a preservação das dunas da orla costeira Tróia-Sines, uma das últimas zonas do litoral ibérico ainda preservadas mas que se debate face à pressão dos interesses do imobiliário de luxo que ali proliferam.
Desta vez, a razão do protesto foram as escavações denunciadas esta quinta-feira na zona entre-marés na praia do Pego, no Carvalhal, a poucos metros da água. "Ao que sabemos foi dada uma licença para o restaurante de luxo do projeto de club privado da Amorim Luxury chamado 'JNcQUOI Comporta' nivelar o areal em frente para colocar um deck. Um deck que requer escavação de toneladas de areia de praia à frente da linha da maré cheia?", questiona o movimento no texto que acompanha o vídeo a mostrar a dimensão das escavações.
Ao Jornal de Negócios, a Amorim Luxury responde que "o vídeo em causa remete para o processo normal de nivelamento que está a ser feito antes da época balnear. Além disso, uma das zonas está a ser elevada para permitir que os cidadãos com mobilidade reduzida tenham acesso à praia".
Por seu lado, a autarquia de Grândola afirma ter fiscalizado a obra na sequência das denúncias e "exigiu a retificação da forma como os mesmos estão a ser executados, no sentido de abrangerem apenas o areal da face da praia. Esta ação surgiu após se ter verificado movimentações de areias consideradas excessivas", diz a Câmara Municipal nas redes sociais, acrescentando que este trabalho "foi autorizado pelas entidades competentes, respeita o Plano de Praia e o Plano de acessibilidade, e não afeta áreas com vegetação - nomeadamente as dunas embrionárias".
O executivo municipal liderado pela CDU tem estado na mira dos ambientalistas, que responsabilizam a Câmara pela situação a que se chegou no concelho: "desde a falta de água à especulação imobiliária, destruição do património natural, limitações dos acessos às praias, resortização de um território e gente". A associação promoveu um protesto durante as cerimónias do 25 de Abril que juntou dezenas de pessoas para fazerem ouvir a sua voz junto dos autarcas contra a especulação imobiliária e a destruição do ambiente.