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"PPP nos hospitais são imagem da promiscuidade que tem vindo a enfraquecer o SNS"

Este domingo, num debate na TVI entre Catarina Martins e Rui Rio, a coordenadora do Bloco afirmou que a gestão privada dos hospitais “não traz nenhuma vantagem” e que esta ideia “tem sido ruinosa para o SNS”.
Fotografia de Paula Nunes
Fotografia de Paula Nunes

Catarina Martins começou por afirmar que a influência do Bloco, ao longo do último mandato, permitiu que, em vez de se cortar pensões, como aconteceu no governo PSD/CDS, ou de as congelar, como o PS prometia, fosse possível aumentá-las.

No seu entender, o Bloco “tem estado nos momentos fundamentais”. Para estas eleições, será importante “salvar o SNS”, assim como trabalhar pelas “condições de vida dos trabalhadores por turnos”, combater “o trabalho precário”, lutar pela “igualdade entre homens e mulheres” e “responder à urgência climática”. “Queremos um país em que as pessoas pensem construir a sua vida e a construam de cabeça erguida”, afirmou.

Para a coordenadora do Bloco, é ainda necessário “recuperar o controlo público dos CTT e uma parte da REN”, que tem uma parte controlada pelo Estado chinês, um “absurdo”. “Esta parte da REN custaria 50 milhões de euros e os CTT, 100 milhões”, afirmou a coordenadora do Bloco, acrescentando que “isto é um quinto do que damos todos os anos à Lone Star pelo fundo de resolução”.

Recordando os 25 mil milhões que foram para o sistema financeiro, Catarina defendeu que é necessário “pôr os recursos onde é necessário”. Como “estas empresas sempre garantiram lucros, se o Estado as recuperar, pagam-se num instante”, acrescentou. “O governo PSD/CDS privatizou por tuta-e-meia empresas estratégicas, importantes para o Estado”, apontou Catarina Martins.

A coordenadora do Bloco lembrou ainda que, no governo PSD/CDS, foram cortados mil milhões de euros no SNS. Posteriormente, foram recuperados alguns cortes, havendo mais gente a trabalhar no SNS. Contudo, é “preciso mais”, uma vez que “a população vive mais tempo, há doenças crónicas, é preciso mais acompanhamento”.

No seu entender, “a promiscuidade é um problema”. Lembrando que o “PSD propõe aumentar o número de parcerias público-privadas” e que o “Tribunal de Contas já afirmou que a gestão privada não traz nenhuma vantagem”, afirmou que esta é “uma má ideia” e que “tem sido ruinosa para o SNS”. “As PPP nos hospitais são a imagem da promiscuidade que tem vindo a enfraquecer o SNS para alimentar grupos financeiros”, afirmou.

Lembrando ainda que Rio “não dá um único exemplo de um contrato [PPP] que tenha corrido bem”, acrescentou que “o hospital de Braga mandava os doentes complicados e caros para o S. João”. “Se puser o S. João numa PPP, para onde é que eles vão?”, perguntou, não obtendo qualquer resposta.

No que toca à legislação laboral, Catarina Martins voltou a insistir na necessidade de “combater a precariedade e puxar pelos salários”. “Não vão subir por darmos benefícios fiscais às empresas”, afirmou, acrescentando que essa “é a lógica da promiscuidade entre a elite financeira e o poder político de que o PSD fala”, sem, contudo, ter “qualquer atuação”.

No entender da coordenadora do Bloco, é necessária uma legislação laboral forte. No debate, chamou a atenção para o aumento do período experimental, dizendo que este é “um problema que deve ser corrigido”.

Para mais, lembrou alguma da herança da 'troika': a diminuição dos dias de férias de 25 para 22 e a redução do pagamento das horas extraordinárias para metade. “Há que desfazer os erros terríveis cometidos na altura da 'troika'”, considerou a coordenadora do Bloco.

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