O PP tentou manter as condecorações atribuídas durante a ditadura de Francisco Franco, incluindo a que distinguiu Adolf Hitler, Benito Mussolini ou Rudolf Hess, entre outros. Com a proposta apresentada pelo seu grupo parlamentar, o partido de Alberto Núñez Feijóo pretendia manter os 33 títulos nobiliárquicos que o regime criou entre 1948 e 1978, e que ainda continuam vigentes, bem como a Orden Imperial del Yugo e as Flechas.
De acordo com o elDiario.es, Franco criou essa distinção civil e militar em plena Guerra Civil como “supremo galardão do Novo Estado ao mérito nacional”. Nas quatro décadas de ditadura concedeu a condecoração aos ditadores Hitler e Mussolini, e a outros membros dos regimes fascistas que ajudaram aos golpistas espanhóis, como o alemão Rudolf Hess; Roberto Farinacci, ministro do regime italiano; ou o embaixador português da ditadura de António Salazar, Pedro Teotónio.
Durante a guerra, essa distinção foi também concedida a generais que participaram no golpe de Estado, como Gonzalo Queipo de Plano, Andrés Saliquet Zumeta ou José Moscardó Ituarte.
El PP votó en la tramitación de la Ley de Memoria Democrática mantener condecoraciones otorgadas durante el franquismo, incluida la de mayor rango que reguló el régimen y que fue otorgada a Hitler, Mussolini o Rudolf Hess, entre otroshttps://t.co/aR8U61UxNx
— elDiario.es (@eldiarioes) October 6, 2022
A Orden Imperial del Yugo e as Flechas distinguiram ainda personalidades internacionais colaboracionistas, como Mohamed V, de Marrocos, ou Faysal II, do Iraque. O último a ser condecorado foi Adolfo Suárez, que foi secretário geral do partido único da ditadura e, posteriormente, o primeiro presidente da democracia reinstaurada em 1978. O PP tentou, simultaneamente, conservar os títulos nobiliárquicos concedidos durante o franquismo, e que foram entregues a ministros, amigos e familiares da ditadura.
A votação dessa proposta foi chumbada com 107 votos a favor, 148 contra e cinco abstenções. O grosso dos votos a favor são da bancada do PP, proponente da emenda, com um total de 100, incluídos os membros da direção, entre os quais se encontra Feijóo. Dois senadores do PP votaram contra e dois não estiveram presentes na votação. A proposta mereceu o aval de três representantes do Vox e os do UPN. A bancada do Compromís também votou a favor, mas esclareceu depois tratar-se de um erro. Registaram-se ainda votos a favor de vários “independentes” surgidos das diferentes deserções entre os Ciudadanos. Da lista de abstenções, constam o único representante dos Ciudadanos, bem como os representantes do PRC, Teruel Existe, PAR e Agrupación Socialista de la Gomera.
PP, Vox e Ciudadanos têm-se oposto à Lei da Memória Democrática, que declara ilegal a ditadura franquista, assume as exumações como responsabilidade de Estado e procura a redesignação do Vale dos Caídos, entre outras medidas.