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Portugal ultrapassou limites ambientais, diz estudo

As gerações mais velhas têm impactos ambientais mais pesados do que as novas e as gerações futuras terão de emitir muito menos gases com efeito de estufa concluem investigadores do Instituto Superior Técnico.
Crianças brincam no mar. Foto de  Xavier Donat /Flickr.
Crianças brincam no mar. Foto de Xavier Donat /Flickr.

Foi divulgado esta terça-feira o estudo "Limites Ecológicos: O Impacto Intergeracional do Uso de Recursos Naturais", coordenado por Tiago Domingos e Ricardo da Silva Vieira, do Instituto Superior Técnico, que conclui que o país ultrapassou os limites ambientais e que, no futuro, apenas poderão ser emitidos cerca de metade dos gases com efeito de estufa do que nas anteriores gerações.

Este estudo do Maretec, centro de investigação do IST, foi encomendado pela Fundação Calouste Gulbenkian, no âmbito de um projeto sobre a justiça intergeracional do Fórum Gulbenkian Futuro. O seu intuito era calcular o impacto da utilização de recursos naturais pelas diferentes gerações em Portugal e o fardo que deixarão para o futuro. Uma das conclusões principais é que as gerações mais velhas têm impactos ambientais per capita bastante mais elevados, nomeadamente no que diz respeito à poluição da água e à pressão sobre os ecossistemas. Assim, todas as gerações, a não ser a das pessoas nascidas a partir de 2000, ultrapassaram limites ecológicos e as pessoas nascidas entre 1940 e 1959 são as que tiveram os piores resultados ambientais, tendo produzido mais gases com efeito de estufa.

Na apresentação do estudo aos jornalistas, segundo a Lusa, Ricardo da Silva Vieira detalhou que, no âmbito do projeto, se estabeleceram seis gerações (desde o início do século XX até à atualidade) e que, para cada uma, analisou o seu impacto ambiental em sete categorias (poluição da água, consumo de água doce, produção e deposição de resíduos, poluição atmosférica, destruição da camada de ozono e pressão sobre os ecossistemas). Para estas categorias identificaram-se limites ecológicos com base no Acordo de Paris sobre alterações climáticas. Os cálculos foram que apenas na categoria “pressão sobre os ecossistema” não foram ultrapassados os limites e isto apenas “devido ao facto de Portugal não ser auto-suficiente em termos alimentares (relacionado com o sucessivo abandono agrícola que foi ocorrendo desde a entrada na União Europeia)”. Pelo que “num cenário do aumento do grau de auto-aprovisionamento alimentar, este limite seria facilmente ultrapassado”.

Nota-se também que as categorias que levantam mais preocupação são as alterações climáticas, a poluição da água e o consumo de água doce, sobretudo nos anos de maiores secas.

O seu colega Ricardo da Silva Vieira sublinha que "os impactos das gerações mais jovens estão tendencialmente a ser mais baixos". Mas o facto da geração mais nova não ter ultrapassado limites prende-se sobretudo com o facto de que ainda não alcançou a idade em que o consumo é maior.

Os investigadores dizem igualmente que quanto maior o produto interno bruto mais se têm ultrapassado os limites ecológicos mas que se está a quebrar esta associação devido a medidas como o aumento da eficiência energética, o desenvolvimento das energias renováveis, melhor tratamento de resíduos ou a introdução do gás natural.

Contudo, para serem sustentáveis, afirma-se, as gerações atuais e as futuras terão já um limite de emissões de carbono que é inferior em 41% relativamente ao dos anos 1990.

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