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Portugal também suspende AstraZeneca em novo episódio de conflito

Portugal juntou-se ao conjunto de países europeus que decidiram suspender a vacina da AstraZeneca, mas essa decisão tem sido questionada por especialistas e por autoridades internacionais. E tem como pano de fundo a escalada do conflito entre a Comissão Europeia e a farmacêutica.
Vacina AstraZeneca
Foto de Jernej Furman/Flickr

Após terem sido relatados trinta casos de eventos tromboembólicos nas cinco milhões de doses já distribuídas na União Europeia, vários países foram nos últimos dias sucessivamente suspendendo a administração da vacina. Para esta quinta-feira é esperada uma reunião da EMA (Agência Europeia do Medicamento) para tomar uma decisão. O Primeiro-ministro António Costa procurou tranquilizar sobre a segurança desta vacina, oferecendo o seu próprio caso pessoal como exemplo, uma vez que lhe foi administrada a primeira dose da vacina, expressando o desejo de receber a segunda dose.

Entretanto, a OMS e a própria EMA vieram reforçar a sua confiança na vacina e afirmar que não existem razões que justifiquem a suspensão.

Ao longo dos últimos dias, foram vários os especialistas de saúde, assim como muita da imprensa internacional, que discutiram as razões por trás desta tomada de decisão. Os receios de que esta decisão possa ter sido motivada politicamente, acontecem após vários meses de conflito político aberto entre a Comissão Europeia e a empresa britânica AstraZeneca. No dia 28 de Janeiro, a Alemanha suspendeu esta mesma vacina para a população de maiores de 65 anos, poucos dias após o período de maior conflito entre a empresa e os dirigentes europeus sobre atrasos nas entregas, tendo sido seguida pelos seus parceiros europeus. Agora, dias após a empresa confirmar novamente corte nas previsões de entrega, o diretor-geral do agência italiana do medicamento, numa entrevista ao jornal La Repubblica, na qual disse compreender a decisão tomada por precaução, também acrescentou estar-se perante uma decisão movida politicamente por estes países.

Esta terça-feira, a Comissão Europeia aproveitou para anunciar um reforço na produção e das entregas da vacina da Pfizer no segundo trimestre de 2021.  

José Gusmão: Princípio da prudência "parece estar invertido"

O eurodeputado José Gusmão afirmou, em entrevista à SIC Noticias, concordar com o comunicado da DGS e do Infarmed de dia 14, que garantia a segurança da vacina e reforçava o facto de não existirem evidências científicas para os casos raros de formação de coágulos, mas que no dia seguinte levou a uma suspensão de acordo com o "principio da prudência".

O eurodeputado concorda com o principio da prudência, mas diz que "parece estar invertido" uma vez que "estamos atrasar o processo de vacinação" e "incluindo tomas que estão a ser adiadas em grupos de risco" por uma decisão que não tem base científica. José Gusmão diz que compreende a pressão pública decorrente das decisões já tomadas por outros estados, mas não compreende que as autoridades de saúde portugueses tomem uma decisão contra o próprio critério cientifico que definiram, com a intenção de tranquilizar.

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