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Portugal é dos países europeus em que mais se depende da família para estudar

Estudo da Eurostudent revela que Portugal é o quinto país europeu em que os jovens mais necessitam de apoio financeiro dos pais para comportar despesas relacionadas com a frequência do ensino superior.
Portugal é dos países europeus em que mais se depende da família para estudar
Foto de Rhodesj/Flickr.

Para além de ser um dos países da Europa em que que os jovens saem mais tarde de casa dos pais, Portugal está também no topo da lista de países em que os jovens são mais dependentes dos pais para conseguirem concluir um curso superior. A maioria das despesas estão relacionadas com a habitação e alimentação.

Segundo um estudo do Eurostudent, noticiado pelo jornal Público, os estudantes portugueses pagam apenas 44% dos custos que têm com a frequência das universidades e politécnicos – cabe aos país o pagamento dos restantes 56%. E, entre as despesas assinaladas, a maioria está relacionada com a habitação, particularmente na cidade de Lisboa. À frente de Portugal só se encontram a Geórgia, Irlanda e Sérvia. Em termos médios, os estudantes europeus dos 28 países incluídos no estudo pagam dois terços das suas despesas mensais.

Segundo o estudo, 49% dos alunos portugueses que frequentam o ensino superior vive em casa dos pais enquanto está a frequentar a licenciatura ou mestrado, sendo a média internacional de 36%. O Eurostudent aponta o facto de os estudantes portugueses estarem até mais tarde em casa dos seus pais como um dos principais motivos que dão origem ao elevado contributo das famílias. É que são estes aqueles que menos contribuem para as despesas de educação, 26%, em comparação com os estudantes que vivem sozinhos e que pagam 60% das mesmas.

Outro fator poderá ser a diferença observada entre os 28 países no que diz respeito às políticas públicas para o ensino. Países como a Dinamarca, Noruega, Suécia e Finlândia têm subsídios estatais para a emancipação dos jovens quando estes atingem os 18 anos.

A elevada fatia do orçamento relacionada com a habitação e alimentação (apenas 13% dos gastos, de acordo com este estudo, estão relacionados com custos diretos com a educação), bem como a reduzida oferta de camas em residências universitárias, vem chamar mais uma vez a atenção para a desigualdade no acesso ao ensino superior em Portugal.

“Quem chega ao ensino superior continua a ser um privilegiado”, disse ao Público João Pedro Videira, presidente da Federação Académica do Porto, defendendo o facto de estudos como este revelarem que muitos alunos não irem para o ensino superior por não terem como dar resposta a todas estas despesas.

“Não basta ter boas notas para entrar no ensino superior”, acrescentou João Rodrigues, da Federação Académica de Lisboa. “Os alunos têm que ultrapassar uma série de outros obstáculos para conseguirem ter sucesso”.

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