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“Portugal deve descarbonizar a sua economia, mas com emprego”

Catarina Martins reuniu com os trabalhadores da fábrica de painéis solares de Moura ameaçada de encerramento e defendeu que é preciso manter aquela capacidade produtiva instalada.
Foto Paula Nunes.

São mais de cem trabalhadores que lutam contra o encerramento da fábrica de painéis solares naquele concelho alentejano. A empresa viu a sua margem de lucro ameaçada pela produção de painéis chineses e decidiu fechar portas. Para Catarina Martins, que esteve esta terça-feira em Moura, “é um contrassenso que no momento em que o nosso país anuncia investimentos avultados na energia solar para responder às exigências de descarbonização da economia e às alterações climáticas, ao mesmo tempo esteja a fechar uma empresa que produz no nosso país painéis solares”.

“Precisamos de saber que investimento é que queremos fazer: se queremos investir a comprar os painéis solares lá fora enquanto temos mais desemprego no interior do país, ou fazê-lo com emprego aqui”, defendeu a coordenadora do Bloco à saída de um encontro com os trabalhadores.

“E não nos digam que pode ficar mais barato comprar os painéis solares lá fora, porque isso é só fazer a conta a metade. Onde houver desemprego há mais despesa social do Estado. Essas contas devem ser feitas. Portugal deve descarbonizar a sua economia, mas com emprego. É necessário emprego aqui em Moura. A responsabilidade pública é manter a fábrica”, afirmou Catarina Martins, propondo a manutenção da capacidade produtiva instalada e os empregos e que “os investimentos públicos em energia solar passem também por esta fábrica”.

“Não existe salário mínimo da Função Pública”

Questionada pelos jornalistas sobre a promulgação do salário base na administração pública, Catarina aproveitou para esclarecer que “não existe salário mínimo para a Função Pública: existe um salário mínimo nacional, que está nos 600 euros e devia subir”. Depois, cada setor define a sua remuneração base, como é o caso da função pública, em que a remuneração base estava abaixo do salário mínimo e foi agora atualizada.

“Neste momento a remuneração base da função pública é de 635 euros, mas por exemplo no Lidl é de 670 euros. Também não há um salário mínimo para o Lidl e um salário mínimo nacional”, prosseguiu Catarina, referindo-se
à “campanha da direita de comparação do público e privado”. Em seguida, recordou que “a direita chumbou as 35 horas para o público e também para o privado”, enquanto “nós defendemos condições iguais e boas para todos, e não puxá-las para baixo”.

“As reservas do Presidente da República são outras, é que há uma situação de desigualdade na função pública: foi aumentada a remuneração base dos salários mais baixos, mas nos outros salários há pessoas que estão há décadas a ganhar o mesmo”, acrescentou.

Enfermeiros: “Governo continua a ter problema para resolver”

Enquanto reunia com os trabalhadores da fábrica de painéis solares, um sindicato dos enfermeiros decidiu desconvocar a chamada “greve cirúrgica” declarada ilegal pela Procuradoria.

“Independentemente do que se possa achar da greve e da sua legalidade ou ilegalidade, há uma coisa que permanece: as reivindicações dos enfermeiros. Temos neste momento enfermeiros que trabalham há 15 anos a ganhar como se tivessem começado a trabalhar hoje. Isso não é justo”, resumiu Catarina Martins, sublinhando que “para lá da questão da greve, o governo continua a ter um problema para resolver: tratar os enfermeiros e enfermeiras deste país com a dignidade que merecem”.

“O apelo que deixamos ao governo é que se foque menos na luta com os sindicatos sobre a greve e se foque mais em resolver as reivindicações dos enfermeiros”, concluiu a coordenadora do Bloco.

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